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Qual o valor real do seu jardim, da sua horta, da sua exploração agrícola?

A instituição UK National Ecosystem Assessment (UK NEA), no Reino Unido, considerou após apurado estudo, proposto ao governo inglês, que insectos polinizadores como abelhas e outros valem 430 milhões de libras por ano para a agricultura britânica, e que os raros habitats como os de zonas húmidas contribuem com 1,5 biliões de libras anualmente para a qualidade da água. 

Sabemos que por cá, tal como em todo o mundo, estes polinizadores estão a desaparecer a um ritmo alucinante, muito por culpa das toneladas de pesticidas utilizados na agricultura, e no entanto, pouco se tem feito para remediar com urgência este enorme problema. Entristece-me esta situação, até pelo facto de conhecer muitos jovens que pretendem iniciar a sua actividade como apicultores... Sem polinizadores não é possível a existência da espécie humana no planeta!!!

Esta semana, a água de abastecimento urbano de um município português da Serra da Estrela, onde existem zonas húmidas (raras no nosso país) protegidas, foi considerada uma das melhores do mundo!!! Isto significa que estas pessoas tomam banho ou regam o jardim com uma água valiosíssima!!!

O acesso a um jardim ou parque público foi avaliado em 300 libras por pessoa em cada ano, por contribuir de forma decisiva para a saúde física e mental positiva. O UK NEA concluiu que o ambiente vale biliões de libras para a economia nacional, fornecendo "serviços ambientais", tais como água limpa, polinização de culturas e fertilidade do solo. Mas quase um terço dos tais "serviços" estão em declínio, e as possibilidades de os melhorar estão a ser perdidas, pois continuamos a considerar a natureza e os seus complexos ecossistemas como um facto adquirido. LEMBREM-SE DISTO SEMPRE QUE VISITAREM A NOSSA QUINTA!!! De facto os agricultores em modo de produção biológico estão, para além de criar riqueza, garantir água limpa e a fertilidade dos solos e a integridade do território, A PRESTAR UM SERVIÇO AO PAÍS E AOS SEUS CIDADÃOS!!!

 

De acordo com esta proposta, as contas de 'capital natural' serão mantidas ao lado do produto interno bruto (PIB), de forma a colocar o meio ambiente "no coração da contabilidade governamental". Uma comissão designada Capital Natural irá monitorizar os recursos naturais do país e lançar sugestões de como aumentar os benefícios inerentes à implementação desta proposta.

Já pensaram qual será o valor real do vosso jardim, da vossa horta, da vossa exploração agrícola, para o país, para os cidadãos, para o Planeta?! Quantificado em moeda (único método de quantificação para a maior parte dos seres humanos nos dias de hoje) É MUITO!!!

*** Deixo um exercício, em jeito de provocação: experimentem passear num jardim público, num dos muitos lugares ainda preservados do nosso país, numa Quinta de um agricultor consciente, resiliente, fechem os olhos e imaginem o que seria da vossa vida e a dos vossos descendentes sem estes espaços... Multipliquem pelo Planeta inteiro e subtraiam a qualidade de vida que acham que tem, neste momento... O resultado pode ser alarmante...

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Mais de 50 organizações cívicas europeias pedem para manter as sementes livres

Mais de cinquenta organizações não governamentais, associações e grupos cívicos por toda a Europa concentram-se hoje em Bruxelas diante dos escritórios das multinacionais de sementes e o Parlamento Europeu para exigir o direito de reproduzir, semear e trocar livremente as sementes de cultivo.


Em Bruxelas as organizações, reunidas no movimento europeu “Campanha Europeia pelas Sementes Livres” (1), entregarão as assinaturas recolhidas no âmbito da petição europeia pelas sementes livres (2) à Comissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu. Em Lisboa, pelas 16 horas, os dinamizadores locais da Campanha entregam uma cópia da petição à representação portuguesa da Comissão Europeia, no Largo Jean Monnet (3). A animação prevista inclui uma pequena peça de teatro intitulada “se me mentes”.

Hoje é o último dia das Jornadas Internacionais de Acção, marcando o ponto alto da Campanha pelas Sementes Livres que denuncia a revisão em curso da legislação europeia em matéria de produção e comercialização de sementes (4). Esta revisão vai favorecer a crescente privatização das sementes agrícolas por uma dúzia de multinacionais, com graves consequências para horticultores e agricultores pequenos e para a segurança e autonomia alimentares, não só na Europa como em todo o mundo.

O mercado das sementes é hoje um oligopólio, com dez empresas a controlar 67% do mercado global de sementes comerciais (5). Através da manipulação genética, as patentes e a cobrança de direitos para a reprodução de sementes estas empresas estão a condicionar a diversidade genética do nosso planeta.

Os tratados internacionais e a legislação europeia já estão a favorecer fortemente as variedades de sementes industriais em detrimento das variedades tradicionais e da diversidade fitogenética conseguida com o trabalho de homens e mulheres agricultores ao longo de séculos. A nova legislação a ser proposta pela Comissão Europeia em 2011 vem restringir ainda mais a acção do agricultor, obrigando a burocracias que na prática vão inibir a reprodução de sementes tradicionais.

A Campanha Europeia pelas Sementes Livres reclama o livre acesso às sementes, o apoio à preservação da diversidade agrícola e a proibição das patentes sobre plantas. As sementes são um bem comum e vital e não devem ser entregues à exploração exclusiva da indústria agro-alimentar.

Campanha pelas Sementes Livres
semear o futuro, colher a diversidade
Campo Aberto | GAIA | MPI | Plataforma Transgénicos Fora | Quercus

Contacto da Campanha pelas Sementes Livres em Portugal: 
Lanka Horstink, tel +351 910 631 664, sementeslivres@gaia.org.pt 

Contactos da Campanha em Bruxelas:  
Antoinette Brouyaux, +32 (0) 2893 09 40, +32 472 27 51 62; antoinette@associations21.org
Nicholas Bell, European Civic Forum, +33 492 73 04 05, nicholas.bell@gmx.net
 
Notas
1. A Campanha Europeia pelas Sementes Livres visa conquistar, defender e promover o direito à criação própria de sementes com vista à promoção e protecção da diversidade de espécies agrícolas regionais, os interesses dos pequenos agricultores e criadores e dos agricultores ecológicos e ainda para garantir a segurança e soberania alimentares de todos os povos. www.sosementes.gaia.org.pt | www.seed-sovereignty.org/PT
 
2. Os pedidos da petição europeia pelas sementes livres:
  • o direito a produzir livremente, sem necessidade de licenças, as nossas próprias sementes a partir das nossas colheitas, a voltar a semeá-las e a dá-las a outros;
  • a promoção das variedades regionais de sementes, através do apoio aos homens e às mulheres que conservam e melhoram variedades de agricultura biológica;
  • a proibição de tecnologias de modificação genética na agricultura;
  • a proibição de patentes sobre as plantas;
  • uma nova lei para a introdução de novas variedades de sementes, que exclua as sementes geneticamente modificadas e as que exijam utilização intensiva de químicos;
  • acabar com os insumos de elevado teor energético na produção agrícola, que são a consequência das monoculturas, do transporte a longas distâncias, bem como do cultivo de plantas que requerem fertilizantes e pesticidas sintéticos.

3. A comitiva da representação portuguesa da Campanha pelas Sementes Livres concentrar-se-á às 14.30 de hoje nos Restauradores para a primeira apresentação do teatro. Às 16 horas estará diante do escritório da representação portuguesa da Comissão Europeia para entregar a petição, com mais uma apresentação do teatro. A última sessão do teatro realizar-se-á às 18.00 no Largo de Camões.
 
5. In Who Owns Nature? Corporate Power and the Final Frontier in the Commodification of Life (2008), ETC Group Report, (publication)

A Campanha pelas Sementes Livres visa conquistar, defender e promover o direito à criação própria de sementes com vista à promoção e protecção da diversidade de espécies agrícolas regionais, os interesses dos pequenos agricultores e criadores e dos agricultores ecológicos e ainda para garantir a segurança e soberania alimentares de todos os povos.

Para qualquer assunto relacionado com a campanha, contactar sementeslivres@gaia.org.pt

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O que ando a ler

Comprei este livro há uns tempos e ando a tentar lê-lo aos poucos: Animals and Psychedelics: The Natural World and the Instinct to Alter Consciousness . E agora alguém me envia um vídeo que já passou algumas vezes na televisão e que o resume, pelo menos em parte. A embriaguez animal acontece por causa da Marula (Sclerocarya birrea), uma árvore de porte médio, originária das savanas da África do Sul e da região da África oriental, cujo fruto é utilizado no fabrico do licor de Amarula. E não só, como muitos animais já descobriram. Vale a pena ver.

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Medidas ambientais relacionadas com o comércio

Apesar da sua importância, as plantas medicinais são neste momento raramente comercializadas de forma regulada e organizada; a maior parte são ainda exploradas com pouca ou nenhuma preocupação com o futuro. A procura crescente destas plantas resulta numa colecta indiscriminada de populações selvagens, que tem provocado estragos nos ecossistemas, contribuindo para a sua degradação, contrária à biodiversidade. Os estragos são particularmente sérios quando são recolhidas cascas, raízes, sementes e flores – partes essenciais à sobrevivência das plantas.
Há uma preocupação crescente pois muitas plantas medicinais estão próximas da extinção. A necessidade de proteger plantas medicinais raras é urgente. A situação na China permite-nos perceber o alcance deste problema. Mais de 80% das 700.000 toneladas de material colhido em cada ano, provém de populações selvagens. A destruição de florestas, expansão da indústria e o crescimento urbanístico, bem como a recolecção excessiva de plantas selvagens, todos juntos representam um rápido decréscimo das populações selvagens de plantas medicinais, às quais biliões de pessoas recorrem.
Apesar do problema das colheitas insustentáveis, existe apenas um número limitado de medidas de controlo do comércio internacional de plantas medicinais. Presentemente, a principal forma de regulação é através do CITES.
O Banco Mundial propõem medidas a tomar em conta, de forma a regular a conservação, cultivo, processamento, e a comercialização das plantas medicinais. Entre os pontos que devem ser ponderados por cada país, estão os seguintes:
  • O uso de plantas medicinais é encorajado em programas de cuidados saúde?
  • Existem medidas de conservação das plantas medicinais e incentivos de forma a encorajar a participação das comunidades locais?
  • Existem medidas que levem à recuperação das populações selvagens colhidas?
  • Existem incentivos para colectores e agricultores de forma a realizarem práticas sustentáveis?
  • O governo apoia a investigação em plantas medicinais?
  • Quais as políticas em relação à exportação de plantas medicinais?
  • O processamento no próprio país está a ser promovido?

O facto de que existe pouca ou nenhuma legislação restringindo o uso de plantas provenientes de populações selvagens nos produtos finais, ou de forma a assegurar a utilização sustentável destas, é preocupante.
Será necessário uma maior consciencialização entre o utilizador final e a indústria farmacêutica, de forma a terem noção das consequências sobre como a forma de exploração e comercialização de plantas medicinais pode interferir com a sua futura disponibilidade.

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