Tempestades, árvores e cidades
A discussão sobre a escolha das espécies de árvores a plantar em espaço urbano, sobre as condições técnicas e paisagísticas da sua instalação, a sua origem, a quantidade e a distribuição desejável da cobertura arbórea nas cidades, a forma de tutoragem, a relação com os edifícios, as práticas de poda, a manutenção do estado fitossanitário e a avaliação do risco, antecede largamente a entrada das alterações climáticas no vocabulário corrente e no debate público. Entre 1997 e 2003, período em que exerci funções como encarregado geral do Parque de Serralves, já se discutiam de forma intensa questões centrais como a resistência das árvores à poluição atmosférica, a sua resposta a contextos urbanos exigentes, a seleção de espécies de menor manutenção e a valorização de espécies autóctones enquanto opção técnica fundamentada. Mesmo a pergunta aparentemente simples sobre quanto vale uma árvore em meio urbano já se colocava nessa altura, recorrendo às primeiras fórmulas de avaliação então ...