Quiuí, quivi ou quibi?
Recordo a primeira vez que vi kiwis, tal como recordo onde estava no dia 11 de setembro de 2001. O kiwi entrou-me na infância pela estranheza. Antes de lhe conhecer o sabor, ficou-me a imagem daquela pequena esfera felpuda, cara, rara, pousada numa mercearia do Porto com a autoridade característica das coisas que chegam de muito longe. Foi algures em meados dos anos oitenta, na Casa São Miguel, uma mercearia de referência na rotunda da Boavista, na minha cidade natal, que os vi expostos como pequenas joias vegetais, castanhos, felpudos, improváveis, alvo de curiosidade e cobiça popular. Tinham qualquer coisa de anúncio, de viagem, de parente emigrado, de mesa onde a novidade se servia com alguma solenidade. Custavam cinco contos o quilo, quase vinte e cinco euros na conversão direta, valor que a memória, essa economista sentimental, ainda hoje encarece. Vinham vestidos com uma casca áspera e parda, em tudo semelhante à estranha ave que lhes empresta o nome comercial. Curiosamente, o fr...