Quando os animais iam a tribunal
Entre o séc. IX e o séc. XVIII encontram-se registos de processos contra animais em tribunais, sobretudo em regiões da atual França, Suíça e norte de Itália. Porcos acusados de homicídio, ratos denunciados por destruir colheitas, lagartas excomungadas e gorgulhos defendidos por advogados passaram perante tribunais eclesiásticos e seculares com uma naturalidade que hoje parece quase impossível de imaginar. Atas, sentenças, registos notariais e despesas de carrascos municipais permitiram a historiadores como Edward Payson Evans ou Esther Cohen reconstruir uma das dimensões menos conhecidas da justiça daqueles tempos. Em Portugal não encontrei qualquer registo documental de processos formais deste tipo. Talvez porque muitos destes conflitos fossem resolvidos diretamente no campo, entre procissões, bênçãos agrícolas e medidas mais imediatas. Ou então porque os registos se perderam irremediavelmente. Em Basileia, no verão de 1474, um galo aguardava sentença. O capelão Johannes Knebel regist...