Plantas com aroma a caril: da Índia às dunas portuguesas
São várias as plantas que cheiram a caril, esta palavra quente e viajante que saiu do Sul da Ásia e atravessou portos, cozinhas e mercados. A palavra portuguesa caril e a inglesa curry pertencem a uma história linguística ligada ao tâmil kari e ao canarês karil , nomes associados a molho, condimento ou acompanhamento para arroz. A palavra viajou como viajam as plantas. Mudou de boca, de grafia e de panela, até se transformar numa expressão capaz de guardar uma geografia inteira. Muito antes de as velas portuguesas tocarem o Índico, a Índia já moía especiarias, aquecia sementes em gordura, dourava curcuma, juntava gengibre, mostarda, assa-fétida, pimenta-preta e pimenta-longa a molhos, caldos, guisados e pastas aromáticas. Existia já uma ciência do calor e do perfume feita no lume quotidiano das casas, com arroz à espera de molhos densos, pedras de moer, mãos treinadas e uma sabedoria culinária bem anterior à palavra europeia caril. As viagens portuguesas não inventaram o caril, mas l...