A Árvore da Forca e o negrilho que o Porto deve voltar a honrar
Há árvores que atravessam a nossa vida muito antes de sabermos que um dia hão de entrar na nossa história pessoal. Entre 1982 e 1983, ainda criança, percorria diariamente uma parte do Porto que não sabia ler. Frequentava então o ciclo preparatório na Escola Preparatória Pêro Vaz de Caminha, na Rua do Rosário, num edifício que, como tantos outros na cidade, entretanto mudou de função e acolhe hoje um hotel. A minha avó paterna tinha um pronto-a-vestir na Baixa do Porto. Eu tinha então onze e doze anos e fazia a pé o trajeto entre a escola e a sua loja, onde ia almoçar. Caminhava pela cidade com a naturalidade de quem ainda não sabe que as ruas guardam nomes, camadas e gestos desaparecidos. Só mais tarde percebi que alguns lugares nos acompanham antes de os compreendermos, e que a cidade pode reter durante anos aquilo que um dia havemos de reconhecer. O Jardim do Carregal e o Jardim da Cordoaria faziam parte desse percurso diário de idas e voltas para a escola. Recordo bem que, no início...