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Quando nos rios se pescava com plantas

Ainda hoje recordo o espanto da primeira vez que vi imagens de indígenas da Amazónia a pescar apenas com plantas. Para uma criança fascinada pelo mundo natural, aquilo parecia impossível. Homens e mulheres esmagavam raízes e cipós entre pedras, entravam devagar no rio, libertavam na água um sumo vegetal turvo e, pouco depois, os peixes começavam a subir à superfície, desorientados, frágeis, entregues às mãos ou às pequenas redes de quem conhecia aquele gesto há gerações. Anos mais tarde, fui comprando e devorando uma razoável coleção de obras de etnobotânica, algumas acompanham-me há décadas e continuam a ser consultadas regularmente, como velhos cadernos de campo. Foi nestas páginas, entre plantas úteis, venenosas, medicinais e esquecidas, que percebi que aquela imagem distante da Amazónia tinha parentes próximos nos rios da Península Ibérica. O que eu julgava longínquo, quase ritual e pertencente a outros territórios, aparecia afinal registado em poças, charcos, levadas e águas lenta...

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