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A fada verde: botânica, lenda e ciência do absinto

Há bebidas que entram na história pela sede que matam. Outras entram pela inquietação que deixam. O absinto, também conhecido como losna ou grande-absinto ( Artemisia absinthium ) pertence a esta segunda família.  Do amargor das suas folhas nasceu uma bebida verde-esmeralda que atravessou a cultura europeia envolta em encanto, risco, literatura e excesso. Chamaram-lhe fada verde e musa verde, porque parecia aproximar os artistas de uma imaginação mais intensa, como se o copo abrisse uma passagem estreita entre o mundo visível e a vertigem interior. Entre nós, uma das suas aparições mais sugestivas surge em Fernando Pessoa. Em A Passagem das Horas , poema de Álvaro de Campos datado de 22 de maio de 1916, aparece a figura de quem fuma ópio e toma absinto, mas acha mais seu olhar para o absinto a beber do que bebê-lo. A frase é admirável porque desloca a bebida do estômago para a inteligência. O absinto entra ali como imagem da modernidade, da vida urbana, da tentação, do vício imag...

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