Aprender a ler o tempo
O tempo continua a entrar nas contas da lavoura. Em 1928, como hoje, bastava uma chuvada fora de horas para perder o feno, uma geada para queimar a horta ou a saraiva para ferir a vinha. Integrado na coleção Livraria do Lavrador, o manual O Tempo — Como se prevê nasceu dessa necessidade e reuniu instrumentos, nuvens, animais, plantas e ditados para orientar o trabalho diário. Encontrei nestas páginas uma ambição que me acompanha desde muito novo, aprender a ler os sinais do tempo que se aproxima. Quando era estudante de agricultura, a capacidade de certos agricultores para o fazer parecia-me um superpoder. Reparavam na direção do vento, no voo raso das andorinhas ou numa névoa presa ao vale. Horas depois, o céu dava-lhes razão. Ainda hoje convivo com alguns desses homens e mulheres. A precisão das suas leituras nunca deixou de me espantar. A meteorologia avançou imenso. Satélites, radares, estações automáticas e modelos acompanham a atmosfera para lá dos limites de qualquer Quinta. Est...