Plantas do monte e a moral estética do jardim
Perdi a conta aos congressos, conferências e encontros técnicos em que participei ao longo da vida. Em finais dos anos 90, quando era encarregado geral dos jardins do Parque de Serralves, vivíamos em Portugal um período de grande entusiasmo em torno dos espaços verdes. Discutiam-se espécies, sistemas de rega, modelos de manutenção e novas formas de levar a natureza para dentro das cidades. Também nos jardins se construía uma cultura urbana. Foi numa dessas conferências que ouvi uma intervenção que nunca esqueci. Durante um debate sobre a utilização de espécies autóctones, o autarca de uma cidade do interior, cujo nome já não recordo, contou que decidira plantar urzes e rosmaninhos nas rotundas. Eram plantas associadas aos matos da região, adaptadas à secura estival e menos exigentes em rega e manutenção do que muitas ornamentais então utilizadas. A população recebeu a novidade com desagrado. Aquilo, diziam, não eram plantas de jardim. Eram plantas do monte. O autarca terminou com uma f...