Dia Internacional do Fascínio das Plantas 2026

Hoje é o Dia Internacional do Fascínio das Plantas, um evento comemorado por toda a Europa, que visa juntar todos os que se sentem fascinados pelas plantas, pelas ciências que as estudam, pela agricultura e pela extraordinária complexidade do mundo vegetal.

Em Portugal, o dia é assinalado com atividades em vários pontos do país, desde oficinas botânicas e visitas guiadas até jogos, exposições, sessões científicas e experiências práticas dedicadas ao mundo vegetal.

Pode aceder à página oficial do evento aqui.
 
Este ano recordo as sorveiras.

A sorveira-dos-passarinhos, também chamada tramazeira ou cornogodinho (Sorbus aucuparia), cresce espontaneamente no norte e centro de Portugal, nas orlas de bosques caducifólios, pinhais e matagais, quase sempre em zonas montanhosas das serras do Gerês, Cabreira, Larouco, Montesinho, Roboredo e Estrela.

Raramente ultrapassa os 15 metros, tem uma copa elegante, floração branca e frutos alaranjados que, no outono e no inverno, alimentam aves e pequenos mamíferos quando a paisagem começa a empobrecer.

Além da tramazeira, existem em Portugal continental mais três espécies autóctones do género Sorbus. A sorveira-branca (Sorbus aria), a sorveira-de-folha-larga (Sorbus latifolia) e o mostajeiro (Sorbus torminalis).

Todas estão em risco. A sorveira-branca está criticamente em perigo, enquanto a sorveira-de-folha-larga e o mostajeiro estão vulneráveis. Nas serras da Madeira sobrevive ainda a raríssima sorveira-da-Madeira (Sorbus maderensis), também criticamente em perigo.

Recentemente encontrei uma sorveira-branca no Gerês. Foi um momento emocionante, mas também um alerta. Estima-se que existam menos de 50 indivíduos maduros desta espécie em todo o país, mais de 90% concentrados precisamente nesta serra.

As sorveiras são farmácia, despensa, abrigo e beleza. Dão frutos, madeira, alimento à fauna, memória à paisagem e futuro ao restauro ecológico.

Que não desapareçam das nossas serras, dos nossos parques, das nossas ruas, nem da nossa imaginação. Perdem-se se as esquecermos, mas podem ser futuro se lhes dermos tempo e lugar.
 
Sorveira-branca (Sorbus aria)
 
 Sorveira-dos-passarinhos (Sorbus aucuparia)
 

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