Apresentação do Plano Nacional de Restauro da Natureza
Realiza-se hoje, no Instituto Superior de Agronomia, a apresentação do Plano Nacional de Restauro da Natureza.
Fui honrado com o convite da Senhora Ministra do Ambiente e Energia e do Presidente do Conselho Diretivo do ICNF para estar presente nesta cerimónia. Infelizmente, por razões de agenda, não me será possível marcar presença.
Acompanho este momento com particular interesse e satisfação, por ter integrado, nos últimos meses, a Rede de Conhecimento para o Restauro da Natureza e por ter contribuído para o trabalho técnico de apoio ao Grupo de Trabalho coordenado pelo ICNF.
Portugal enfrenta alguns dos maiores desafios ambientais das últimas décadas. As alterações climáticas, a degradação dos ecossistemas, a perda de biodiversidade, os incêndios rurais, a erosão dos solos, a escassez de água e a crescente exposição a fenómenos extremos exigem respostas estruturadas, assentes no melhor conhecimento científico disponível e numa visão de longo prazo.
O restauro da natureza não deve ser entendido apenas como uma obrigação decorrente do Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. É uma oportunidade para tornar o território mais resiliente, reduzir riscos, proteger pessoas e atividades económicas e reforçar os serviços dos ecossistemas dos quais todos dependemos.
Entre as soluções disponíveis, importa valorizar abordagens como a regeneração natural assistida, muitas vezes mais ecológicas, resilientes e economicamente eficientes do que intervenções baseadas exclusivamente na plantação.
Importa também assegurar que os projetos de restauro ecológico utilizem sementes e plantas de proveniência local e que sejam desenvolvidos com rigor técnico, monitorização adequada e envolvimento dos proprietários, municípios, empresas e cidadãos.
Num país marcado pela fragmentação da propriedade e pelo abandono de muitos territórios rurais, o sucesso do restauro dependerá da capacidade de mobilizar conhecimento, financiamento, cooperação e gestão à escala da paisagem.
O verdadeiro valor destes investimentos não reside apenas no carbono. Reside na recuperação do solo, da água, da biodiversidade, da resiliência ao fogo e da qualidade ecológica dos territórios.
Proteger a natureza não é um luxo nem uma opção ideológica. É uma decisão estratégica, informada e racional. No fim, restaurar a natureza é investir no futuro de Portugal e na qualidade de vida das próximas gerações.

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