Em busca das variedades tradicionais portuguesas
Em Portugal ainda subsistem centenas de variedades hortícolas e fruteiras que transportam consigo histórias, memórias e uma ligação profunda aos territórios onde foram selecionadas e adaptadas ao longo de gerações.
Muitas continuam inscritas nos catálogos nacionais de variedades agrícolas e fruteiras, preservadas graças ao trabalho de agricultores, viveiristas, investigadores, associações e guardiões de sementes que recusaram deixar desaparecer aquilo que receberam das gerações anteriores.
Quando percorremos os registos oficiais descobrimos um país agrícola muito mais diverso do que aquele que habitualmente encontramos nas prateleiras dos supermercados.
Entre as variedades que continuam registadas nos catálogos nacionais encontram-se nomes como cebolas Garrafal, Setúbal Portuguesa e Vermelha de Povairão. Feijões Bragançano, Tarreste, Patareco e Corno de Carneiro.
Couves Penca de Chaves e Penca de Mirandela. Cenouras Pau Roxo das Seis Marias. Abóboras Moganga de Geraz, Moncarapacho e Bornes. Nas fruteiras aparecem maçãs Bravo de Esmolfe, Camoesas, Malápios e Porta da Loja.
Cerejas de Saco, figos Pingo de Mel e Lampa Preta, peras São Bartolomeu, Sete Cotovelos, castanhas Judia, Longal e Martaínha e muitas outras variedades que continuam vivas em pomares, hortas e pequenas explorações agrícolas espalhadas pelo território.
Estas são apenas algumas das muitas variedades tradicionais que continuam registadas nos catálogos nacionais. Muitas destas variedades quase desapareceram dos circuitos habituais de comercialização, apesar de continuarem presentes em explorações familiares e em redes locais de conservação e troca.
Em muitos casos, a sua área de cultivo reduziu-se drasticamente ao longo das últimas décadas, acompanhando as transformações da agricultura e dos mercados alimentares.
Apesar disso, algumas continuam presentes em mercados locais, feiras rurais e pequenas lojas de província. Outras sobrevivem apenas em quintais, hortas familiares, pomares envelhecidos, coleções de conservação e sementes guardadas dentro de frascos de vidro ou envelopes escritos à mão.
Há maçãs que mudam de nome de aldeia para aldeia. Feijões conhecidos apenas pelo nome da família que os cultiva há décadas. Couves que nunca precisaram de rótulo porque bastava dizer “aquela da nossa horta”.
Há pereiras que resistem junto a muros de granito, figueiras que continuam a amadurecer em eiras abandonadas e castanheiros cujas variedades ainda são conhecidas por nomes transmitidos de geração em geração, testemunhando uma diversidade agrícola muito mais vasta do que aquela que habitualmente chega aos mercados.
A comunidade científica tem vindo a alertar para a erosão genética agrícola, ou seja, para a perda gradual da diversidade genética presente nas plantas cultivadas. Cada variedade que desaparece representa também a perda de sabores, adaptações ao clima, resistência a doenças, memória cultural e conhecimento agrícola acumulado ao longo de muitas gerações.
Para além do seu valor histórico e cultural, estas variedades constituem uma importante reserva de características genéticas que poderá ajudar a enfrentar desafios futuros, incluindo alterações climáticas, novas doenças e mudanças nas preferências dos consumidores.
Em Portugal existem bancos de germoplasma, onde milhares de amostras de sementes e outros recursos genéticos vegetais são conservados para o futuro, bem como coleções vivas, projetos de investigação e redes de conservação dedicadas à proteção deste património.
No terreno, agricultores e pequenas empresas de sementes continuam a multiplicar estas variedades e a partilhá-las através de trocas, feiras e pequenas redes locais.
Mas nenhuma coleção consegue substituir por completo uma variedade cultivada no terreno, observada ao longo das estações e integrada na vida das comunidades que a preservam.
Embora muitas destas variedades estejam hoje representadas nos catálogos nacionais e em coleções de conservação, a sua verdadeira sobrevivência depende da continuidade do cultivo. Uma variedade deixa de ser apenas uma entrada num registo quando continua a produzir alimento, a adaptar-se às condições locais e a fazer parte da vida das pessoas que a cultivam.
Por isso quero lançar-lhe um desafio para a época de produção e colheita de 2026. Entre junho e outubro, observe com mais atenção as hortas, pomares e mercados que cruzarem o seu caminho. Procure estas variedades tradicionais portuguesas.
Fotografe as plantas ao longo das diferentes fases do seu ciclo, desde a formação dos frutos até à colheita, sempre que possível. Fotografe os frutos, as bancas das feiras, as sementes guardadas, os sacos de serapilheira cheios de feijão, as abóboras pousadas à entrada das adegas, as maçãs alinhadas em caixas de madeira, os tomates de formas imperfeitas, as couves enormes junto aos poços.
Se cultiva alguma destas variedades, envie-me imagens. Se as encontrar à venda, fotografe-as. Se souber o nome local, partilhe-o. Se conhecer histórias ligadas a essas plantas, conte-as.
Gostava de reunir, ao longo desta época agrícola, um grande arquivo coletivo da diversidade cultivada portuguesa que ainda resiste no território. Cada imagem poderá ajudar a documentar a presença destas variedades e a compreender melhor a forma como ainda se distribuem pelo território.
Sempre que possível, envie também a localidade, o mês da colheita e o nome pelo qual a variedade é conhecida na região. Se existir correspondência com o nome oficial do catálogo nacional, melhor ainda. Muitas vezes será precisamente esta diferença entre o nome técnico e o nome popular que ajudará a contar a história da planta.
Talvez descubra variedades que julgava desaparecidas. Talvez perceba que algumas continuam vivas em lugares inesperados. Talvez esta partilha ajude agricultores, viveiristas e guardiões de sementes a reencontrarem plantas e variedades que procuram há muitos anos.
E talvez consigamos mostrar que, por detrás da aparente uniformidade dos mercados modernos, continua a existir um Portugal agrícola rico em diversidade, memória e vida, guardado em sementes, árvores e pessoas que, todos os dias, mantêm vivo um património que pertence a todos nós.
Muitas continuam inscritas nos catálogos nacionais de variedades agrícolas e fruteiras, preservadas graças ao trabalho de agricultores, viveiristas, investigadores, associações e guardiões de sementes que recusaram deixar desaparecer aquilo que receberam das gerações anteriores.
Quando percorremos os registos oficiais descobrimos um país agrícola muito mais diverso do que aquele que habitualmente encontramos nas prateleiras dos supermercados.
Entre as variedades que continuam registadas nos catálogos nacionais encontram-se nomes como cebolas Garrafal, Setúbal Portuguesa e Vermelha de Povairão. Feijões Bragançano, Tarreste, Patareco e Corno de Carneiro.
Couves Penca de Chaves e Penca de Mirandela. Cenouras Pau Roxo das Seis Marias. Abóboras Moganga de Geraz, Moncarapacho e Bornes. Nas fruteiras aparecem maçãs Bravo de Esmolfe, Camoesas, Malápios e Porta da Loja.
Cerejas de Saco, figos Pingo de Mel e Lampa Preta, peras São Bartolomeu, Sete Cotovelos, castanhas Judia, Longal e Martaínha e muitas outras variedades que continuam vivas em pomares, hortas e pequenas explorações agrícolas espalhadas pelo território.
Estas são apenas algumas das muitas variedades tradicionais que continuam registadas nos catálogos nacionais. Muitas destas variedades quase desapareceram dos circuitos habituais de comercialização, apesar de continuarem presentes em explorações familiares e em redes locais de conservação e troca.
Em muitos casos, a sua área de cultivo reduziu-se drasticamente ao longo das últimas décadas, acompanhando as transformações da agricultura e dos mercados alimentares.
Apesar disso, algumas continuam presentes em mercados locais, feiras rurais e pequenas lojas de província. Outras sobrevivem apenas em quintais, hortas familiares, pomares envelhecidos, coleções de conservação e sementes guardadas dentro de frascos de vidro ou envelopes escritos à mão.
Há maçãs que mudam de nome de aldeia para aldeia. Feijões conhecidos apenas pelo nome da família que os cultiva há décadas. Couves que nunca precisaram de rótulo porque bastava dizer “aquela da nossa horta”.
Há pereiras que resistem junto a muros de granito, figueiras que continuam a amadurecer em eiras abandonadas e castanheiros cujas variedades ainda são conhecidas por nomes transmitidos de geração em geração, testemunhando uma diversidade agrícola muito mais vasta do que aquela que habitualmente chega aos mercados.
A comunidade científica tem vindo a alertar para a erosão genética agrícola, ou seja, para a perda gradual da diversidade genética presente nas plantas cultivadas. Cada variedade que desaparece representa também a perda de sabores, adaptações ao clima, resistência a doenças, memória cultural e conhecimento agrícola acumulado ao longo de muitas gerações.
Para além do seu valor histórico e cultural, estas variedades constituem uma importante reserva de características genéticas que poderá ajudar a enfrentar desafios futuros, incluindo alterações climáticas, novas doenças e mudanças nas preferências dos consumidores.
Em Portugal existem bancos de germoplasma, onde milhares de amostras de sementes e outros recursos genéticos vegetais são conservados para o futuro, bem como coleções vivas, projetos de investigação e redes de conservação dedicadas à proteção deste património.
No terreno, agricultores e pequenas empresas de sementes continuam a multiplicar estas variedades e a partilhá-las através de trocas, feiras e pequenas redes locais.
Mas nenhuma coleção consegue substituir por completo uma variedade cultivada no terreno, observada ao longo das estações e integrada na vida das comunidades que a preservam.
Embora muitas destas variedades estejam hoje representadas nos catálogos nacionais e em coleções de conservação, a sua verdadeira sobrevivência depende da continuidade do cultivo. Uma variedade deixa de ser apenas uma entrada num registo quando continua a produzir alimento, a adaptar-se às condições locais e a fazer parte da vida das pessoas que a cultivam.
Por isso quero lançar-lhe um desafio para a época de produção e colheita de 2026. Entre junho e outubro, observe com mais atenção as hortas, pomares e mercados que cruzarem o seu caminho. Procure estas variedades tradicionais portuguesas.
Fotografe as plantas ao longo das diferentes fases do seu ciclo, desde a formação dos frutos até à colheita, sempre que possível. Fotografe os frutos, as bancas das feiras, as sementes guardadas, os sacos de serapilheira cheios de feijão, as abóboras pousadas à entrada das adegas, as maçãs alinhadas em caixas de madeira, os tomates de formas imperfeitas, as couves enormes junto aos poços.
Se cultiva alguma destas variedades, envie-me imagens. Se as encontrar à venda, fotografe-as. Se souber o nome local, partilhe-o. Se conhecer histórias ligadas a essas plantas, conte-as.
Gostava de reunir, ao longo desta época agrícola, um grande arquivo coletivo da diversidade cultivada portuguesa que ainda resiste no território. Cada imagem poderá ajudar a documentar a presença destas variedades e a compreender melhor a forma como ainda se distribuem pelo território.
Sempre que possível, envie também a localidade, o mês da colheita e o nome pelo qual a variedade é conhecida na região. Se existir correspondência com o nome oficial do catálogo nacional, melhor ainda. Muitas vezes será precisamente esta diferença entre o nome técnico e o nome popular que ajudará a contar a história da planta.
Talvez descubra variedades que julgava desaparecidas. Talvez perceba que algumas continuam vivas em lugares inesperados. Talvez esta partilha ajude agricultores, viveiristas e guardiões de sementes a reencontrarem plantas e variedades que procuram há muitos anos.
E talvez consigamos mostrar que, por detrás da aparente uniformidade dos mercados modernos, continua a existir um Portugal agrícola rico em diversidade, memória e vida, guardado em sementes, árvores e pessoas que, todos os dias, mantêm vivo um património que pertence a todos nós.

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