Mundial de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas Tradicionais - Cromo 11 — Abóbora-menina
Espero que esta coleção se venha a tornar num fenómeno!
E que ajude a dar a conhecer algumas das hortícolas mais emblemáticas do nosso património agrícola.
O segundo cromo que apresento é dedicado a uma das hortícolas tradicionais portuguesas mais discretas e generosas, a abóbora-menina.
O número 11 da nossa seleção. Entra em campo com casca firme, polpa doce, fôlego de outono e talento para aguentar a época longa. Não precisa de fazer fintas vistosas. Prefere jogar devagar, amadurecer no tempo certo e aparecer quando a cozinha portuguesa começa a pedir tachos fundos, sopas reconfortantes, purés, doces, filhós e sonhos de Natal.
A sua polpa transforma-se em creme, em massa doce, em fritura dourada e em memória de cozinha familiar. É daquelas variedades que parecem guardar o verão por dentro, para o devolver em pleno outono, quando os dias arrefecem e a casa precisa de lume, açúcar, canela e tempo.
É uma jogadora de área, pesada, paciente e decisiva. Muitas vezes fora de jogo nas superfícies comerciais, foi perdendo espaço para abóboras mais pequenas, mais leves e mais fáceis de transportar e vender.
Ainda assim, continua a ser uma das grandes jogadoras do panorama hortícola nacional. Talvez já não apareça em todas as montras, mas quando entra na cozinha mostra logo por que razão merece voltar à titularidade.
A fase de grupos já começou e a competição promete ser renhida. Couves, feijões, cebolas, abóboras e cenouras disputam a preferência do público numa prova onde contam a história, a resistência, a adaptação ao território e o valor patrimonial de cada variedade.
Fique atento aos próximos cromos. Acreditamos que esta é a melhor seleção de sempre. Portugal!

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