A oliveira que viu nascer Portugal

Quando esta árvore começou a lançar raízes na terra quente do Algarve, Roma governava grande parte do mundo conhecido. 

Séculos mais tarde, viu chegar os povos islâmicos que transformaram o sul da Península Ibérica em al-Andalus, trazendo novas formas de cultivar, regar e olhar a paisagem mediterrânica.

À sua volta passaram gerações inteiras. Mudaram línguas, crenças, reis e fronteiras.
Ouviu, ao longe, o avanço de D. Afonso Henriques na conquista de territórios para o novo reino português, desde Santarém e Lisboa até Beja. 

E assistiu, já no século XIII, à integração definitiva do Algarve em Portugal, no reinado de D. Afonso III, quando o último território sob domínio islâmico passou a fazer parte do país.

Hoje, continua viva no Morgado do Quintão, em Lagoa. Considerada uma das oliveiras mais antigas de Portugal, estima-se que tenha cerca de 2000 anos.

A oliveira (Olea europaea) acompanha a história do Mediterrâneo há milhares de anos. Alimentou povos, iluminou casas, marcou religiões e tornou-se símbolo de paz, resistência e continuidade. 

Algumas árvores vivem durante séculos. Outras, raramente, atravessam civilizações.
Esta oliveira atravessou impérios, viu nascer Portugal e ali permanece, serena e imensa, como se o tempo passasse mais devagar à sua sombra.
 

 

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