Mundial de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas Tradicionais - Cromo 10 — Melão Casca de Carvalho

Inspirado no Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas 2026, decidi lançar esta coleção de cromos dedicada às variedades tradicionais de hortícolas portuguesas que estão a competir no Mundial de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas Tradicionais, atualmente a decorrer no Entroncamento.

Espero que esta coleção se venha a tornar num fenómeno!

E que ajude a dar a conhecer algumas das hortícolas mais emblemáticas do nosso património agrícola.

O sexto cromo que apresento é dedicado a uma das hortícolas tradicionais portuguesas mais raras, temperamentais e surpreendentes, o Melão Casca de Carvalho.

O número 10 da nossa seleção. Entra nos dezasseis-avos de final com casca rugosa, toque fino e aquele instinto de quem sabe esperar pelo momento certo.

Amanhã Portugal joga com a Croácia e há jogos em que a bola pesa, a bancada prende a respiração e qualquer distração pode deixar um país inteiro com um grande melão. Acontecendo essa desgraça, que seja pelo menos um Melão Casca de Carvalho, desses que chegam do Norte com nome de árvore, pele de campo lavrado e gás suficiente para levantar a mesa.

Mesmo aqui, a escolha tem nervo de jogo a eliminar. Dizem os produtores que a percentagem de bons melões é baixa e que muitos ficam pelo caminho por lhes faltar picância, cor ou sabor.

Nesta variedade, como no futebol, nem todos chegam ao apito final em condições de serem celebrados. Os melhores têm de bater cheiinho, vir rijos, trazer picante e aquela estranheza viva que só aparece quando o fruto acertou no ponto.

É um fruto de verão, grande, oblongo, de doçura variável, apimentado e levemente efervescente. A casca reticulada e fendilhada lembra a superfície do carvalho e guarda uma polpa variável, por vezes esverdeada, amarelada ou alaranjada, conforme o tipo e a região.

Tem fama de difícil, de risco alto e de maturação exigente. Pede toque, pede ouvido, pede mão treinada. Diz-se que tem dia e hora, como certos jogos a eliminar.

Entre o Vale do Sousa, o Cávado e outros territórios do Norte, o Melão Casca de Carvalho ganhou estatuto de fruto raro, procurado em feiras, romarias e mesas de verão. Há tipos de casca fina e reticulado delicado, outros de casca grossa, acinzentada e reticulado forte, outros ainda de polpa alaranjada e equilíbrio próprio.

Pode entrar como aperitivo, refrescar depois da refeição ou fazer equipa com presunto da região e vinho verde. Tem o dom dos produtos que primeiro intrigam, depois convocam outra dentada e acabam inscritos no campeonato particular de quem os provou.

Amanhã queremos seguir em frente. Queremos Portugal nos oitavos, a voz rouca, a bandeira ainda erguida e o coração a bater no prolongamento da esperança.

Há melões que pesam no fim dos jogos. Este, ao menos, pesa com casca, território, picante e identidade portuguesa. Se vier melão, que venha dos bons. Casca de Carvalho, daqueles que se escolhem pelo toque e se respeitam antes de abrir.

A fase a eliminar já começou e a competição promete ser renhida. Couves, feijões, cebolas, abóboras, cenouras e melões disputam a preferência do público numa prova onde contam a história, a resistência, a adaptação ao território e o valor patrimonial de cada variedade.

Para reunir todos os cromos, poderá descarregar gratuitamente a magnífica caderneta oficial nesta ligação:

Fique atenta(o) aos próximos cromos. Acreditamos que esta é a melhor seleção de sempre. Portugal!


 

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