Reserva Botânica do Cambarinho arde pela segunda vez em menos de dez anos

A Reserva Botânica do Cambarinho voltou a arder pela segunda vez em menos de dez anos. Lamento profundamente que este lugar de valor excecional tenha sido novamente atingido pelo fogo.

Depois do incêndio de 2017, o de 2026 terá percorrido praticamente toda a Zona Especial de Conservação do Cambarinho, onde se encontra um dos mais importantes núcleos portugueses de adelfeira (Rhododendron ponticum subsp. baeticum).

Conheço este lugar há muitos anos e já lá regressei várias vezes, sempre com a mesma consciência da sua fragilidade. Também já alertei, em diferentes meios, para o risco evidente de manter uma reserva desta importância rodeada por extensas manchas de eucalipto.

O Cambarinho deveria ter proteção total, gestão permanente e um papel central na vida da região. A adelfeira é uma planta relíquia, dependente de água, sombra e continuidade ecológica.

Embora consiga rebentar de toiça depois do fogo, incêndios tão próximos podem ultrapassar a sua capacidade de recuperação e degradar profundamente o habitat que a sustenta.

Para quem visitou a reserva nos últimos meses, o risco era impossível de ignorar. A proximidade dos eucaliptais tornavam evidente a possibilidade de um novo incêndio. Enquanto a reserva continuar exposta desta forma, permanecerá no centro de um verdadeiro barril de pólvora.

É desesperante ver arder e degradar-se, incêndio após incêndio, um dos mais preciosos tesouros naturais do nosso país.
 

 

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