A Árvore da Forca e o negrilho que o Porto deve voltar a honrar

Há árvores que atravessam a nossa vida muito antes de sabermos que um dia hão de entrar na nossa história pessoal. Entre 1982 e 1983, ainda criança, percorria diariamente uma parte do Porto que não sabia ler. Frequentava então o ciclo preparatório na Escola Preparatória Pêro Vaz de Caminha, na Rua do Rosário, num edifício que, como tantos outros na cidade, entretanto mudou de função e acolhe hoje um hotel.

A minha avó paterna tinha um pronto-a-vestir na Baixa do Porto. Eu tinha então onze e doze anos e fazia a pé o trajeto entre a escola e a sua loja, onde ia almoçar. Caminhava pela cidade com a naturalidade de quem ainda não sabe que as ruas guardam nomes, camadas e gestos desaparecidos. Só mais tarde percebi que alguns lugares esperam por nós no tempo, como se guardassem uma história que ainda não tínhamos idade para escutar.

O Jardim do Carregal e o Jardim da Cordoaria faziam parte desse percurso diário de idas e voltas para a escola. Recordo bem que, no início dos anos 80, ambos estavam longe da imagem cuidada que hoje se procura associar aos jardins históricos.

Eram espaços gastos, sujos, entregues a vagabundos, pedintes e a uma espécie de abandono urbano que não convidava uma criança a demorar-se. Eu atravessava-os mais do que os habitava. Passava por eles com a pressa prática de quem tinha de chegar à escola, à loja da avó, ao almoço, à rotina familiar.

Na Cordoaria, porém, havia uma escala que se impunha mesmo a quem não sabia ainda lê-la. A vasta coleção de árvores, os bancos, os estudantes, o trânsito, as fachadas próximas e a Torre dos Clérigos faziam daquele jardim um dos lugares mais densos da cidade. Eu atravessava esse espaço sem imaginar que uma das suas figuras arbóreas mais extraordinárias estava já próxima do fim.

O grande negrilho (Ulmus minor) do Jardim da Cordoaria, conhecido pelo povo como Árvore da Forca, ainda existia. Morreria em 1986, vítima da grafiose, e pouco depois desapareceria da paisagem física da cidade. Foi meu contemporâneo. Partilhou comigo alguns anos de infância, ainda que eu só o tenha entendido tarde demais.

Tantas vezes passei por aquele negrilho. Quantas terá projetado a sua sombra sobre mim? Terei contornado o seu tronco, mutilado, enfraquecido, ainda impondo ao jardim aquela gravidade das árvores que sobreviveram a quase tudo? Será que algum dia parei para o fitar demoradamente?

Imagem 1 - A Árvore da Forca no Jardim da Cordoaria, com a Torre dos Clérigos ao fundo. O velho negrilho dominava a paisagem do jardim e fazia parte da imagem pública desta zona do Porto. Arquivo Histórico Municipal do Porto / Câmara Municipal do Porto. Reprodução autorizada.

Guardo dele uma lembrança imperfeita, dessas que ficam mais no corpo do que nos olhos. Hoje gostava de ter uma fotografia minha, miúdo, ao lado da árvore, como uma das imagens que acompanham esta história, com crianças e adultos reunidos junto do tronco monumental. Não tenho essa fotografia. Tenho apenas a consciência tardia de ter passado muitas vezes diante de uma árvore que o Porto venerou durante mais de três séculos.

Imagem 2 - Crianças e adultos reunidos junto ao tronco monumental da Árvore da Forca. Uma imagem que mostra a escala física do negrilho e a relação próxima que os portuenses mantinham com esta árvore. Arquivo Histórico Municipal do Porto / Câmara Municipal do Porto. Reprodução autorizada.

A vontade de escrever este texto nasceu durante a preparação de uma Deriva entre a Cordoaria e as Virtudes. Foi a Deriva do Museu do Porto, “Do Jardim da Cordoaria ao Jardim das Virtudes”, que realizei em maio e junho de 2026, em duas sessões esgotadas. A proposta partia de um olhar sobre dois jardins históricos e sobre duas formas distintas de relação entre cidade e natureza.

Durante o percurso apresentava as árvores como testemunhas da construção paisagística e cultural do Porto, convidando a ler a paisagem como documento e experiência sensível. Essa ideia tornou-se o fio de trabalho. Caminhar da Cordoaria às Virtudes era passar de um jardim de representação urbana para uma paisagem de encosta, de água, socalcos e produção hortícola. Era também perceber que as árvores guardam mudanças sociais, ambientais e afetivas que a cidade raramente explica aos seus habitantes.

Foi nessa pesquisa que redescobri a Árvore da Forca e percebi que se tratava de um negrilho. A palavra tocou-me de imediato. Negrilho é também o nome que demos à nossa empresa, em honra da minha avó materna, para quem esta era a árvore favorita. Nesse instante, o património urbano encontrou a minha própria biografia, pela infância que passei junto daquela árvore sem a reconhecer plenamente e pela memória familiar que acabou por dar nome ao meu trabalho.

Não posso deixar de agradecer à Joana Ferreira Leite, do Museu do Porto, o cuidado que teve em me enviar o processo camarário da Árvore da Forca, até então sem consulta pública disponível. A leitura desse processo fez crescer em mim uma vontade quase obsessiva de saber mais.

Ali estava a árvore já morta, convertida em processo municipal, entre pareceres técnicos, despachos, recortes de imprensa, dúvidas e propostas de salvaguarda. O velho negrilho ainda permanecia no jardim, mas reduzido ao que dele restava, entre a urgência técnica de o remover e a vontade de conservar a sua memória. Foi também aí que percebi que este texto teria de terminar com uma proposta ao Porto.

Este texto demorou meses a preparar. Nasceu de leituras sucessivas, dúvidas, regressos às fontes, comparações entre datas, fotografias, artigos de O Tripeiro, publicações patrimoniais, crónicas, processos camarários, imagens dispersas e uma manhã extraordinária de pesquisa no Arquivo Histórico Municipal do Porto, na Casa do Infante.

Entre volumes gastos pelo uso e páginas que obrigam a ler devagar, fui reunindo a biografia de uma das mais magníficas árvores da cidade. Há árvores urbanas que dão sombra, outras que embelezam uma praça, algumas que marcam uma geração. A Árvore da Forca alcançou outro patamar. Entrou na lenda, na imprensa, na classificação patrimonial, no arquivo municipal, na fotografia, na memória popular e no vocabulário afetivo do Porto.

A história começa antes da árvore que chegou ao século XX. Começa no Campo do Olival, um espaço amplo, anterior à Cordoaria ajardinada, que durante séculos pertenceu à vida coletiva do Porto. Firmino Pereira, em O Porto d’outros tempos, publicado em 1914, dedica-lhe um capítulo inteiro com um título que já parece programa de investigação, “O campo, alameda, horto e monte do Olival”.

O sumário desse capítulo é, por si só, uma pequena cartografia da Cordoaria antiga. Nele cabem a feira de São Miguel, a doação medieval, a plantação dos olmos, a “arvore grande” e as suas desgraças, as forcas dos populares que promoveram a “assuada” contra a Companhia dos Vinhos, os cordoeiros e o nascimento do jardim.

A árvore surge ali ancorada num território muito mais vasto do que o jardim atual. Vem do Campo do Olival, da memória das portas da cidade, do trabalho dos cordoeiros, das feiras, das execuções, dos passeios e das sucessivas formas de uso público daquele chão.

Segundo Firmino Pereira, em 1611, as oliveiras que marcavam a direção do couto de Cedofeita eram já poucas e raquíticas. O Senado decidiu então substituí-las por uma vasta plantação de negrilhos ou olmos, que o autor identifica expressamente como Ulmus campestris.

A plantação da alameda foi autorizada em 28 de setembro de 1611 e custeada pelo imposto conhecido por imposição do vinho. É dentro desta memória documental e vegetal que Firmino Pereira situa o famoso Ulmus, conhecido como “arvore grande da Cordoaria”, plantado em 1612 e com 302 anos em 1914.

A confirmação documental, a partir dos livros camarários, surge em O Tripeiro, 2.º ano, n.º 43, de 1 de setembro de 1909. No artigo “Alameda da Porta do Olival”, Alfredo Alves descreve o antigo Campo do Olival como um espaço amplo, quase despido de arvoredo, com renques de oliveiras a norte, na direção do couto de Cedofeita. Depois transcreve a sequência régia que deu corpo à plantação.

A carta de 28 de setembro de 1611, passada em São Lourenço do Escorial, ordenava a criação de uma alameda no Campo do Olival, financiada com parte da imposição de um ceitil sobre o vinho e entregue à superintendência do desembargador Manuel Sequeira Novais.

Em 25 de junho de 1612, nova determinação mandou fazer de novo a plantação, e o alvará de 11 de julho desse ano estabeleceu dois guardas para a alameda, com vencimento anual de 15$000 réis cada. Em 6 de março de 1613, outra carta régia mandou continuar a plantação, elevou o número de guardas para quatro e dispensou os cordoeiros da guarda daquele passeio público. O arco documental de 1611 a 1613 pertence, assim, à formação administrativa da alameda, que nesse período ganhou ordem régia, financiamento, vigilância e continuidade material.

A terminologia botânica revela a espessura cultural da árvore. Ao longo de mais de dois séculos de referências, o negrilho aparece nas fontes portuenses através de várias sinonímias populares, como álamo, negrilho, olmo e ulmeiro, e com a classificação botânica então usada, Ulmus campestris.

Essa diversidade de nomes pertence à própria biografia documental da árvore e acompanha a linguagem comum e científica disponível em cada época. Com a evolução da taxonomia, a identificação daquele grande negrilho da Cordoaria deve hoje ser lida como Ulmus minor. Ao longo deste texto, preferi chamar-lhe sobretudo negrilho, por ser, entre os vários nomes comuns usados em Portugal, aquele de que mais gosto. É também o nome que mais me aproxima desta árvore, pela memória familiar, pela Cordoaria e pela força da própria palavra.

A história dos ulmeiros ajuda a compreender esta passagem de nomes. Trata-se de um grupo marcado por cultivo antigo, propagação vegetativa, hibridação e mudanças sucessivas de nomenclatura. No Norte de Portugal, essa história cruzou-se também com a vinha de enforcado.

O negrilho foi usado como uveira, árvore de suporte que deixava as videiras subir e ocupar as bordaduras dos campos. A poda severa da uveira tinha uma lógica agrícola precisa. Reduzia a sombra sobre a vinha, favorecia a maturação das uvas, dava ramagem ao gado e mantinha a árvore dentro da função que a paisagem agrícola lhe atribuía.

A grafiose retirou à vinha de enforcado uma das árvores mais ajustadas a esse sistema agrícola. Em muitos casos, os negrilhos mortos acabaram por ser substituídos por outras árvores de suporte, como choupos e plátanos, com porte, ramagem e comportamento menos favoráveis à condução da vinha.

A perda também se fez sentir no arvoredo urbano. Em jardins, parques e ruas, a morte anual de numerosos olmos e a sua substituição por espécies como lódãos e plátanos mostravam que a grafiose estava a alterar também a paisagem das cidades.

A cultura de poda associada às uveiras ajuda a compreender algumas marcas deixadas no arvoredo urbano. Quando gente formada no trabalho agrícola passou a cuidar jardins, ruas e quintais, levou consigo gestos aprendidos nas aldeias.

Durante muito tempo, plátanos, choupos, negrilhos e outras árvores foram cortados com uma dureza herdada dessas práticas, já fora do contexto que lhes dava sentido. Hoje, a arboricultura urbana começa finalmente a olhar cada espécie com outra consciência, respeitando melhor a sua forma natural e reservando as podas severas para situações muito justificadas.

O negrilho pertence profundamente à paisagem portuguesa. Ulmus minor é reconhecido como autóctone em Portugal continental e surge associado sobretudo a solos frescos e áreas de influência hídrica, como linhas de água, sebes, orlas de matagais, vales agrícolas, lameiros, caminhos húmidos e depósitos fluviais. Nas margens dos grandes rios, pode integrar comunidades arbóreas com freixos, carvalhos, salgueiros e lódãos, ajudando a fixar margens, regular a água e criar abrigo para a biodiversidade.

É uma árvore caducifólia de crescimento rápido, exigente em luz e capaz de tolerar encharcamento, períodos de seca, ventos salinos e poluição. Essa plasticidade ajuda a compreender a sua passagem dos corredores ribeirinhos para os campos agrícolas, as bordaduras de vinha, as alamedas, os jardins, as ruas e os espaços urbanos.

Na Cordoaria, o negrilho vivia já dentro da cidade, mas trazia consigo a herança ecológica e rural das margens, dos campos húmidos e das paisagens agrícolas onde a espécie ganhou sentido no território. A copa densa dava abrigo, a sombra criava lugar e a presença da árvore acrescentava ao jardim valor estético, cultural, histórico e científico.

Durante séculos, os negrilhos foram árvores de trabalho. Marcavam limites, davam sombra e forneciam uma madeira resistente, difícil de fender, usada em mobiliário, cabos de ferramentas, peças agrícolas e estruturas expostas à humidade. Pertenciam à economia quotidiana dos campos e à imagem viva das margens, dos caminhos e dos lugares habitados.

Essa dimensão rural ajuda a ler melhor a Árvore da Forca. O grande negrilho da Cordoaria trazia para o jardim uma história longa de convivência entre árvore, água, trabalho agrícola, caminhos, margens e comunidades. A cidade reconheceu-o como monumento vivo porque nele se encontravam botânica, utilidade, lenda e vida pública.

Agostinho Rebelo da Costa ajuda a compreender a paisagem onde essa tradição ganhou forma. Na Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto, publicada em 1789, descreve o Campo da Cordoaria como um dos principais terreiros, praças e campos da cidade. Diz que era rodeado por “três filas de grossos e elevados álamos plantados no mês de Fevereiro de 1758”, em forma de grande praça vazia.

O passeio público ficaria amplo e formoso se ali não trabalhasse a importante fábrica das cordas e calabres. A Cordoaria era lugar de arborização, trabalho, circulação e sociabilidade. O nome do jardim conserva essa marca dos cordoeiros, homens que estendiam fibras, torciam cordames e abasteciam as atividades marítimas e comerciais da cidade.

Imagem 3 - A Árvore da Forca integrada na vida quotidiana do Jardim da Cordoaria. Ao fundo, a Torre dos Clérigos. Em primeiro plano, o jardim como espaço de passagem, encontro e cidade. Arquivo Histórico Municipal do Porto / Câmara Municipal do Porto. Reprodução autorizada.

A importância desta árvore aumenta quando olhamos para o seu declínio. A grafiose, conhecida como doença holandesa do ulmeiro, transformou a história dos ulmeiros europeus numa longa perda. Um estudo português de 1979 sobre Pyrrhalta luteola, o escaravelho das folhas do olmo, mostra que o declínio dos negrilhos envolvia uma cadeia fitossanitária mais ampla do que o simples aparecimento da grafiose.

O inseto era então apontado como principal defoliador dos olmos em Portugal e como primeiro degrau de uma sucessão que enfraquecia as árvores, favorecia o ataque de escolitídeos e abria caminho à doença holandesa do olmo.

O mesmo estudo recordava que o negrilho se encontrava amplamente distribuído no país, que os olmos eram frequentes em jardins, parques e ruas, que as folhas serviam de alimento aos animais no norte de Portugal durante o verão e que a madeira era considerada de muito boa qualidade. A grafiose instala-se no sistema vascular e corta a circulação da seiva. Primeiro surgem ramos secos e folhas murchas. Depois o declínio avança pelo corpo da árvore.

Em 1997, um relatório fitossanitário sobre o Parque Botânico da Fundação Calouste Gulbenkian descrevia já os ulmeiros portugueses como raros sobreviventes de uma doença espalhada pelo mundo.

O relatório explicava o papel dos escolitídeos, que se desenvolvem entre a casca e o lenho, saem das árvores mortas por pequenos orifícios e transportam esporos para árvores sãs. A recomendação era dura e compreensível. Abater e queimar os ulmeiros mortos ou moribundos para quebrar o ciclo da doença. A mesma fonte apontava o caminho que hoje deve orientar qualquer homenagem viva à Árvore da Forca. Apenas ulmeiros geneticamente resistentes poderiam garantir maior duração.

Portugal ainda vê rebentar negrilhos. A espécie persiste em sebes, margens, caminhos e linhas de água. Há nisso uma coincidência extraordinária que me acompanha de perto. Mesmo ao pé de casa, num descampado por onde passo quando vou caminhar, crescem vários negrilhos espontâneos. Estão tão escondidos que, às vezes, sinto ser a única pessoa que sabe que eles ali estão. Essa persistência discreta diz muito sobre a espécie.

Na Quinta de Bonjóia, no Porto, existe também um pequeno núcleo de negrilhos em franco desenvolvimento. Sempre que os encontro, vejo neles pequenas reservas de futuro. Árvores jovens, discretas e cheias de energia, a ganhar corpo e a devolver presença a uma espécie duramente atingida pela grafiose.

O negrilho resiste por rebentos de raiz e de toiça, por sementes leves que o vento transporta e que são capazes de flutuar e seguir a corrente, reencontrando a lógica ribeirinha que sempre acompanhou a espécie.

Encontrar árvores adultas e monumentais passou a ser cada vez mais raro. Com a grafiose, desapareceram muitos exemplares e perdeu-se a continuidade de negrilhos capazes de envelhecer, ganhar escala e marcar o território.

Por isso, uma eventual replantação na Cordoaria deve ser pensada com rigor técnico, material vegetal adequado, tolerância ou resistência comprovada à doença, acompanhamento fitossanitário e consciência de que plantar um negrilho, hoje, é também participar num esforço de conservação genética e cultural.

A Árvore da Forca pertencia a essa linhagem de grandes árvores em que a botânica se torna história urbana. As fotografias mostram um tronco colossal, irregular, cheio de cicatrizes, com braços amputados, feridas, rebentos e marcas sucessivas de fogo, vento, proteção humana e decadência fisiológica.

  Imagem 4 - O braço lateral da Árvore da Forca, a forma que ajudou a fixar a lenda. A árvore nunca serviu de patíbulo. A sua silhueta alimentou o nome que o povo lhe deu. Arquivo Histórico Municipal do Porto / Câmara Municipal do Porto. Reprodução autorizada.

Em algumas imagens, a Torre dos Clérigos surge ao fundo, como se árvore e torre dividissem a verticalidade simbólica da Cordoaria. Noutras, aparecem bancos, passeantes, crianças, homens de chapéu, grupos reunidos junto de um ramo caído ou serrado.

Imagem 5 - O negrilho da Cordoaria visto na sua relação com a Torre dos Clérigos e com a arquitetura do jardim. A imagem mostra a presença monumental da árvore e o braço que marcou a sua memória visual. Arquivo Histórico Municipal do Porto / Câmara Municipal do Porto. Reprodução autorizada.

Em O Tripeiro, de dezembro de 1967, uma fotografia de 1889 surge legendada como “Ulmus histórico e maciço-mosaico no Jardim dos Mártires da Pátria”. A expressão “Ulmus histórico” diz quase tudo. A árvore já era lida como documento vivo.

A pergunta que organizou a sua fama foi publicada em 20 de julho de 1909. Na secção “Novas Perguntas” de O Tripeiro, 2.º ano, n.º 39, a entrada n.º 153, assinada por J. M., interrogava “Arvore da Forca. Sinistro título para uma arvore tão linda, como a Ulmus do Jardim da Cordoaria! Por que a denominou o povo assim?”

A beleza da pergunta está no espanto. Um leitor vê uma árvore formosa e estranha o peso fúnebre do nome. Em 1 de setembro de 1909, O Tripeiro, 2.º ano, n.º 43, respondeu. O texto “A Arvore da Forca” identifica o exemplar como negrilho, Ulmus campestris, e afirma com clareza que nunca serviu “para enforcar desgraçado algum”.

Este ponto deve ser repetido sem hesitação. A Árvore da Forca nunca foi usada como patíbulo. As execuções públicas que marcaram a Cordoaria fizeram-se em cadafalsos e forcas de madeira erguidos para esse fim.

A árvore assistiu a acontecimentos terríveis, recebeu deles a sombra verbal, entrou na tradição por proximidade e forma. O seu ramo, a sua localização e a memória dos suplícios fizeram o resto. A lenda confundiu testemunha com instrumento. A história permite desfazer a confusão e conservar a força simbólica da árvore.

A lenda nasceu num território onde a morte pública tinha deixado marcas reais. Firmino Pereira ajuda a desenhar essa geografia. Recorda que a forca pública estivera primeiro em Mijavelhas, no Poço das Patas, hoje Campo 24 de Agosto, e depois na Ribeira. Em 1822 foi transferida para a extremidade sul do Campo da Cordoaria, diante da Cadeia e perto da Rua do Calvário, destinada aos réus de crimes comuns.

A isto juntava-se a memória do Campo das Malvas, junto à área dos Clérigos, ligado durante muito tempo ao enterramento dos justiçados. Firmino Pereira recorda que essa geografia da morte pública se prolongou depois para o chão do Robalo, no terreno onde se abriria a Rua da Liberdade, lugar associado ao Adro dos Enforcados. Havia, portanto, forcas, condenados, sepulturas infames e lembranças de suplício em redor da Cordoaria. O nome popular da árvore nasceu nesse ambiente de história penal, topografia urbana e imaginação coletiva.

Firmino Pereira é particularmente firme na defesa do velho Ulmus. Diz que houve quem o caluniasse, afirmando que cedera um dos seus braços mais possantes para nele serem enforcados os taberneiros da assuada de 1757 contra a Companhia dos Vinhos e os liberais condenados pelas justiças do governo absoluto.

Ela mostra que, já em 1914, a associação entre a árvore e o patíbulo era sentida como uma injustiça feita ao negrilho. Para o autor, os taberneiros morreram em seis forcas erguidas no Campo do Olival e os liberais padeceram nos patíbulos da Praça Nova. O venerando Ulmus ficou como muda testemunha. Esta é uma das formulações mais certeiras de todas as fontes consultadas. A árvore viu, sofreu a memória do lugar e recebeu o nome da tragédia, sem ter servido de instrumento de morte.

Germano Silva, uma das vozes que melhor soube contar o Porto aos portuenses, num episódio de O Porto do Germano dedicado à Árvore da Forca, retomou esta lição no seu modo direto e popular. Recordou a Cordoaria dos cordoeiros, o antigo Campo do Olival, a alameda mandada plantar no tempo dos Filipes e aquela árvore que resistiu ao tempo, aos temporais e ao incêndio. Morreu de pé, dizia ele, como morrem as árvores. E nunca se enforcou ninguém nela.

A Cordoaria conheceu episódios duros. A revolta contra a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 1757, deixou uma marca funda na cidade. O Tripeiro, 2.º ano, n.º 43, de 1 de setembro de 1909, regista essa memória em 14 de outubro de 1757, associando a Cordoaria às execuções ordenadas pelo poder pombalino.

Portugal Económico Monumental e Artístico, no fascículo XLII, retoma essa leitura, afirmando que junto à árvore foi erguido um cadafalso. Para a história da Árvore da Forca, é sobretudo 1757 que fica ligado à Cordoaria e ajuda a explicar a associação popular entre a árvore, o lugar e a morte pública.

Em 1829, os doze liberais que a cidade recordaria como Mártires da Pátria foram enforcados na Praça Nova, hoje Praça da Liberdade. Em 1831, a Cordoaria assistiu a outras execuções, ligadas a condenados por crime cometido em Coimbra. Joel Cleto, em O Tripeiro, 7.ª série, Ano XXXI, n.º 6, de junho de 2012, distingue a lenda dos factos documentados e ajuda a situar cada episódio.

A explicação do nome passa também pela forma do velho negrilho. A árvore tinha um braço poderoso que saía do tronco, desenhava um ângulo e subia quase em paralelo ao eixo principal, criando a imagem de uma forca natural. O povo nomeou a partir do que via, do que ouvia e do que a memória do lugar lhe entregava.

Uma árvore muito velha, num espaço ligado a execuções, com um ramo que lembrava o desenho de um patíbulo, acabou por receber o nome mais impressionante. A forma da árvore deu corpo à lenda. A cidade acrescentou-lhe medo, rumor e memória.

O Cerco do Porto abriu outro capítulo decisivo na história material da Cordoaria. Entre 1832 e 1833, durante a Guerra Civil Portuguesa, as necessidades militares levaram ao corte de muitas árvores das praças públicas da cidade.

Os arvoredos da Cordoaria foram sacrificados para fornecimento de lenha, nomeadamente ao Hospital Militar e ao Recolhimento dos Meninos Órfãos, instalados na zona onde se ergueria o edifício da Universidade. Segundo Jaime Ferreira, em O Tripeiro, Série Nova, Ano I, n.º 7, Vol. I, escaparam então duas árvores, restando apenas uma em 1890.

A tradição recolhida por O Tripeiro, 2.º ano, n.º 43, de 1 de setembro de 1909, e repetida por autores posteriores acrescenta que o grande negrilho terá sido poupado por intervenção de Francisco Faustino da Costa, provedor da Misericórdia, junto de D. Pedro IV. A Árvore da Forca atravessou assim o Cerco como sobrevivente literal de uma razia arbórea. Enquanto outras companheiras caíram ao machado, ela permaneceu na Cordoaria e ganhou mais uma camada de exceção na memória da cidade.

Depois do Cerco, a vida do negrilho continuou a ser uma sequência de danos, cuidados e resistências. Em 1860, sofreu um incêndio causado por uma fogueira acesa pelos cordoeiros. Firmino Pereira conta que, numa tarde de frio, os cordoeiros acenderam lume nas proximidades do venerando vegetal.

A nortada fez subir o fogo e o tronco ficou queimado em parte. O Tripeiro, 2.º ano, n.º 43, de 1 de setembro de 1909, acrescenta que o incêndio foi prontamente extinto e que, por intervenção do Dr. Assis de Sousa Vaz, se tratou de proteger aquele monumento vivo do Porto. A zona atingida foi coberta com uma chapa de ferro e colocou-se um gradeamento em volta do tronco. Esse gradeamento seria retirado em 1869, com o ajardinamento da praça, associado à iniciativa do visconde de Villar d’Allen.

Há aqui um detalhe admirável. O visconde recusou a proposta de alterar os ramos para melhorar a arquitetura da árvore. A irregularidade foi respeitada. A forma ferida valia mais do que a simetria. Esta pequena decisão diz muito sobre a relação entre a cidade e o negrilho. A árvore era entendida como corpo histórico, não como peça ornamental a disciplinar pela tesoura.

Em 2 de fevereiro de 1885, uma forte tempestade arrancou-lhe um grande ramo. O Tripeiro, 2.º ano, n.º 43, de 1 de setembro de 1909, regista a comoção dos portuenses que acorreram à Cordoaria para ver o estado do admirado álamo. A população correu à alameda, aflita e inquieta, receando que a árvore do tempo dos Filipes tivesse sido ferida de morte. O receio desvaneceu-se. Na sua robustez, o poderoso Ulmus resistiu ao fogo e ao temporal, cercado dos cuidados que a velhice exigia, erguendo-se ainda contra os estragos dos séculos.

Outro episódio, aparentemente menor, mostra o cuidado material dedicado ao tronco. Em O Tripeiro, 2.º ano, n.º 44, de 10 de setembro de 1909, uma pequena nota da secção “Notas ao Tripeiro” conta que, na madrugada de 31 de dezembro de 1908, Francisco Gomes entrou no Jardim da Cordoaria, subiu à árvore e arrancou uma chapa de chumbo de trinta quilos que protegia o tronco das chuvas e da podridão.

Foi detido na Rua de Fernandes Tomás por um guarda civil. A Câmara comprou nova chapa e pagou a reparação, gastando 12$000 réis. Este episódio revela uma forma concreta de proteção patrimonial antes da linguagem técnica contemporânea. A árvore era tratada como um corpo vulnerável, sujeito a feridas, remendos e vigilância.

A proposta mais bela que encontrei nas fontes é a de lhe chamar Árvore da Liberdade. Duarte de Oliveira Júnior, citado no artigo “A Arvore da Forca”, publicado em O Tripeiro, 2.º ano, n.º 43, de 1 de setembro de 1909, a partir do Jornal de Horticultura Prática, defendia que aquele “colosso vegetal” devia ser cuidado enquanto vivesse e preservado depois da morte como relíquia da cidade. Propunha a seguinte inscrição:

ÁRVORE DA LIBERDADE
NASCEU EM 1611
VIU DECAPITAR MUITOS INNOCENTES
E VIVE AINDA
EM FINS DO SECULO XIX
RODEADA DOS CARINHOS D’UM POVO CULTO

 Décadas depois, Jaime Ferreira transmitiu uma variante com “viu enforcar muitos inocentes”. A diferença mostra como a própria memória da árvore continuou a oscilar entre história, suplício e lenda. A intenção cívica, essa, mantém-se nítida. Retirar a árvore do imaginário da forca e colocá-la no campo da liberdade, da tradição e do respeito público.

Em 27 de setembro de 1939, segundo as “Efemérides Portuenses” publicadas em O Tripeiro, V Série, Ano XII, n.º 5, de setembro de 1956, o venerando negrilho do Jardim da Cordoaria foi classificado como árvore de interesse público. A nota é breve e preciosa. Chama-lhe negrilho, atribui-lhe mais de trezentos anos e volta a esclarecer que não constava ter servido alguma vez para enforcar quem quer que fosse.

Poucos dias depois, a revista Ilustração, n.º 331, de 1 de outubro de 1939, retomava a velha lenda e o carinho com que o Porto rodeava o negrilho. A publicação confirma a força pública e afetiva que a árvore ainda tinha quando entrou na história nacional da proteção do arvoredo monumental.

Joel Cleto acrescenta, em O Tripeiro, 7.ª série, Ano XXXI, n.º 6, de junho de 2012, que este exemplar integrou o primeiro lote de catorze árvores classificadas em Portugal como de interesse público.

O facto merece ser sublinhado. Também aqui o Porto aparece na dianteira. O enquadramento legal da proteção do arvoredo foi aberto pelo Decreto-Lei n.º 28468, de 15 de fevereiro de 1938, diploma que sujeitou a autorização o corte e a derrama de árvores em jardins, parques, matas ou manchas de arvoredo situados em zonas de proteção patrimonial, e que permitiu proteger exemplares isolados de espécies vegetais pelo porte, desenho, idade ou raridade.

No ano seguinte, o negrilho da Cordoaria integrou o lote fundador das árvores classificadas em Portugal. As fontes reunidas permitem afirmar com segurança que o Porto esteve entre os lugares pioneiros da proteção oficial das árvores monumentais no país.

A cidade que tantas vezes se orgulhou das suas pedras, das suas pontes, das suas torres e dos seus feitos cívicos reconhecia, nessa data, que uma árvore podia ser património. A Árvore da Forca deixava de pertencer só à lenda da Cordoaria. Entrava na história nacional da proteção das árvores monumentais.

Em 15 de fevereiro de 1941, menos de ano e meio depois da classificação, a Cordoaria voltou a ser posta à prova. O ciclone que nesse dia varreu Portugal trouxe ventos de violência rara. Na Serra do Pilar, a rajada atingiu 167 km/h antes de o anemómetro se avariar. No Jardim da Cordoaria, grande parte do arvoredo foi destruída. A ficha patrimonial do jardim regista que a única grande árvore que resistiu foi o ulmeiro tricentenário conhecido como Árvore da Forca.

A sequência de resistência ganhava assim mais uma camada. Depois do fogo de 1860 e do temporal de 1885, a velha árvore atravessava sem dano uma tempestade que derrubava grande parte do jardim. Pouco depois de ser reconhecida como património, confirmava no próprio terreno a exceção que os documentos já lhe atribuíam.

Segundo Jaime Ferreira, em O Tripeiro, Série Nova, Ano I, n.º 7, Vol. I, em 10 de novembro de 1963, novo temporal arrancou-lhe o braço principal, aquele que mais contribuía para a aparência de forca. O autor publicou uma fotografia tirada antes desse episódio e assinalou a perda.

A árvore continuou viva, com a sua silhueta lendária diminuída. Sem esse braço, talvez muitos passantes já não compreendessem o nome. A partir daí, a memória passou a depender cada vez mais das fotografias, das crónicas, das legendas e das pessoas que ainda a tinham visto com a sua forma plena.

O fim chegou em 1986, e é aqui que o processo camarário que me foi enviado pela Joana Ferreira Leite se torna decisivo. Em 23 de junho desse ano, a Divisão de Museus e Património Histórico e Artístico escrevia sobre a chamada Árvore da Forca e perguntava o que fazer daquele fuste simbólico, já sem folhagem, ainda erguido no lado norte do Jardim da Cordoaria.

A primeira proposta era ambiciosa. Retirar o tronco com cuidado, sem destruir a forma que alimentara a tradição popular, tratá-lo quimicamente para o conservar como testemunho histórico da cidade, plantar no mesmo local outra árvore da mesma espécie e deixar uma inscrição alusiva.

Nos meses seguintes, a árvore continuou a existir nos papéis da Câmara como problema técnico e como dívida cultural. Luís de Azeredo trabalhou uma fórmula para a placa, discutindo até a escolha entre “negrilho” e “ulmeiro”. A redação lembrava que naquele local existira, durante três séculos e meio, um frondoso negrilho ou ulmeiro que secara em 1986 e que a tradição popular apelidara de Árvore da Forca.

O processo conserva recortes de imprensa, pareceres, hesitações, propostas de peça ornamental ou memorial, dúvidas sobre o destino do tronco, preocupações de segurança e a advertência da Divisão de Jardins sobre a grafiose e a contaminação do lugar. Surgiram hipóteses sucessivas. Plantar uma árvore da mesma espécie. Tratar o tronco ou conservar parte dele. Colocar uma placa. Encomendar um desenho ou projeto de memória, talvez sob a forma de peça ornamental ou escultórica.

A Divisão de Jardins alertou para a doença, para o estado de decomposição do tronco e para a inconveniência de voltar a plantar um ulmeiro no mesmo ponto. A solução mais prudente acabou por se concentrar na placa evocativa. O despacho final apontava nesse sentido. A memória física da árvore nunca chegou a ganhar presença clara e duradoura no jardim. O processo mostra uma cidade que reconheceu a importância da perda, ensaiou formas de reparação e deixou a homenagem por concluir.

É essa ausência que hoje mais pesa. A Cordoaria continua a ser atravessada por estudantes, turistas, funcionários, moradores, crianças, grupos que esperam, pessoas que descansam, leitores de jardim, gente apressada. Muitos passam pelo lugar onde viveu o negrilho sem qualquer indicação que lhes permita perceber que ali esteve uma das árvores mais notáveis do Porto. A Árvore da Forca desapareceu do terreno e ficou repartida por arquivos, fotografias e memória dispersa. Um jardim que teve uma árvore destas devia saber contá-la.

Escrevo este texto também por isso. Porque passei por ela em criança e só muito mais tarde compreendi quem ela era. Porque a reencontrei em adulto, entre páginas de arquivo, fotografias e relatos de quem a protegeu. Porque se chamava negrilho, o mesmo nome que demos à nossa empresa em homenagem à árvore preferida da minha avó materna.

Porque a grafiose continua a empurrar os grandes negrilhos para uma raridade cada vez mais dolorosa no território e para uma perda de continuidade nas paisagens onde durante séculos marcaram caminhos, margens e povoados. Porque uma cidade que aprende a honrar as suas árvores aprende também a reconhecer melhor a sua própria biografia.

A proposta que deixo ao Município do Porto é simples e tem raízes nas próprias fontes históricas. Que se faça finalmente a homenagem devida à Árvore da Forca. Uma homenagem séria, discreta e bem documentada no Jardim da Cordoaria. Uma placa que assinale o lugar aproximado do negrilho.

Um texto interpretativo que explique a lenda e esclareça que a árvore nunca serviu de patíbulo. Uma reprodução de uma fotografia histórica. A recuperação da proposta da Árvore da Liberdade. Uma escultura, uma marca no pavimento ou outro gesto que devolva escala ao tronco desaparecido. E, com o devido acompanhamento técnico, uma plantação simbólica de ulmeiros resistentes ou tolerantes à grafiose, escolhidos com critério, proveniência adequada e consciência fitossanitária.

Esta homenagem tem mais de um século de atraso. Já no fim do século XIX se pediu que a árvore fosse cuidada em vida e lembrada depois da morte. Em 1986 e 1987, o próprio processo camarário voltou a discutir placa, nova plantação, escultura e conservação da memória. A homenagem ficou suspensa entre pareceres, boas intenções e esquecimento prático.

A cidade deve esse gesto a um enorme bastião vegetal que durante mais de três séculos honrou o Porto com a sua presença. Um negrilho ferido por fogo, vento, cortes, doença, esquecimento e pelo Cerco do Porto, em plena Guerra Civil Portuguesa, suficientemente poderoso para continuar a reunir arquivos, fotografias, investigadores, caminhantes e afetos. A Árvore da Forca nunca enforcou ninguém. Fez algo mais difícil e mais raro.

Obrigou sucessivas gerações a olhar para uma árvore como parte da história da cidade. Agora falta transformar essa consciência em gesto público e prestar-lhe, finalmente, a homenagem que lhe é devida. Vamos a isso, Porto?

Agradeço ao Arquivo Histórico Municipal do Porto e à Câmara Municipal do Porto a disponibilização de documentação e imagens relativas à Árvore da Forca, fundamentais para a preparação deste texto.

  



Comentários

Mensagens populares