quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Erva-cidreira

A Erva-cidreira (Melissa officinalis) é uma planta vivaz, cultivada ou subespontânea no nosso país, que pode crescer até aos 80 cm de altura e 50 cm de diâmetro. Foi introduzida há muito tempo na Europa, a partir da Ásia Ocidental, e é vulgar encontrá-la próximo das casas, em caminhos, sebes, taludes, até junto a vinhas. Também conhecida como melissa ou citronela-menor, as suas folhas, quando manipuladas, libertam um forte e agradável aroma a limão doce. Apesar de resistente ao frio, a sua parte aérea pode mesmo desaparecer totalmente durante o Inverno.

Floresce entre Junho e Setembro e as sementes ficam maduras entre Agosto e Outubro. Apesar das suas flores serem muito pequenas, surgem em grande número, sendo por isso uma planta extremamente melífera.

Não apresenta grande dificuldade de adaptação ao pH do solo, podendo ser cultivada em solos ácidos ou alcalinos, soltos, ligeiramente argilosos, húmidos, mas bem drenados. Adapta-se também ao cultivo em vasos e floreiras.

Surge normalmente em zonas ensombradas, situação que prefere, embora se possa cultivar ao sol, se bem que o tamanho e coloração das suas folhas possam variar de acordo com a exposição. Depois de estabelecida, é uma espécie resistente à secura, que poderá ser utilizada nalgumas zonas do jardim, especialmente à sombra, onde muitas vezes é difícil estabelecer outras plantas.

Se encontrar as condições ideais, pode tornar-se invasiva, sendo por isso muito importante nesta situação impedir que desenvolva sementes, cortando a parte aérea da planta. Esta operação permite também renovar caules e folhas, que irá produzir em abundância, interessante para quem gosta de a utilizar em casa. A poda da parte aérea torna-se fundamental também quando a planta é atacada por pragas ou doenças, às quais é particularmente sensível. Ao remover as partes afectadas, limpar a envolvente de partes secas e mortas, prevenindo assim o surgimento dos sintomas que muitas vezes se manifestam, como manchas necróticas, ferrugem, amarelecimento da planta, etc. Também as pragas se instalam com regularidade, principalmente os afídeos e a mosca-branca, sendo preferível em muitas ocasiões o corte da planta, que deve ser sempre rente ao solo.

Fácil de cultivar, é fundamental num jardim de plantas aromáticas, pela diversidade de características que possui. Também representa uma óptima opção em consociação, sobretudo com todo o tipo de couves, pelos seus efeitos benéficos para com estas plantas.

Propaga-se por sementeira, na Primavera. A germinação pode, por vezes, ser lenta. É fundamental que as sementes, que são muito pequenas, fiquem pouco enterradas, pois caso contrário poderão não germinar. Também podemos facilmente dividir os tufos que forma, na Primavera ou no Outono ou propagar por estacaria durante toda a Primavera/Verão.

Utiliza-se a parte aérea da planta na preparação de infusões, com a planta fresca ou seca, embora muitas pessoas refiram utilizá-la fresca, pois a maioria dos preparados comerciais que circulam no mercado são de muito má qualidade, com ausência total de aromas.

Também pode ser utilizada como planta condimentar. As folhas usam-se para dar sabor a saladas de legumes ou frutas.

Com inúmeras propriedades medicinais, é considerada anti-inflamatória, antioxidante, antiviral, digestiva, calmante e sedativa, associada a tratamentos de problemas nervosos, perturbações do sono e problemas gastrointestinais de origem nervosa tais como espasmos, enfartamento e anorexia e ainda no tratamento de febres e constipações. Na pouco conhecida tradição ervanária portuguesa, é considerada uma espécie de panaceia, recordo bem as palavras da minha bisavó, que dizia: “se o menino está doente, dá-lhe um chá de cidreira…” De facto, as propriedades da planta estão bastante estudadas, tendo a indústria farmacêutica em comercialização diversos preparados, não apresentando efeitos secundários, toxicidade ou interacções conhecidas.

Externamente, pode ser esfregada na pele para aliviar picadas de insectos ou mesmo para evitar que estes piquem, já que o seu óleo essencial é um excelente repelente. O óleo essencial é muito utilizado em aromaterapia. A procura da planta seca tem aumentado em toda a Europa, pelo que a sua cotação tem vindo a subir. Representa por isso, no momento, uma excelente opção para cultivo com fins comerciais. Disponível aqui.


1 comentário:

Anónimo disse...

A Erva-cidreira (Melissa officinalis) é uma planta vivaz, cultivada ou subespontânea no nosso país, que pode crescer até aos 80 cm de altura e 50 cm de diâmetro. Foi introduzida há muito tempo na Europa, a partir da Ásia Ocidental, e é vulgar encontrá-la próximo das casas, em caminhos, sebes, taludes, até junto a vinhas. Também conhecida como melissa ou citronela-menor, as suas folhas, quando manipuladas, libertam um forte e agradável aroma a limão doce. Apesar de resistente ao frio, a sua parte aérea pode mesmo desaparecer totalmente durante o Inverno.
Floresce entre Junho e Setembro e as sementes ficam maduras entre Agosto e Outubro. Apesar das suas flores serem muito pequenas, surgem em grande número, sendo por isso uma planta extremamente melífera.
Não apresenta grande dificuldade de adaptação ao pH do solo, podendo ser cultivada em solos ácidos ou alcalinos, soltos, ligeiramente argilosos, húmidos, mas bem drenados. Adapta-se também ao cultivo em vasos e floreiras.
Surge normalmente em zonas ensombradas, situação que prefere, embora se possa cultivar ao sol, se bem que o tamanho e coloração das suas folhas possam variar de acordo com a exposição. Depois de estabelecida, é uma espécie resistente à secura, que poderá ser utilizada nalgumas zonas do jardim, especialmente à sombra, onde muitas vezes é difícil estabelecer outras plantas.
Se encontrar as condições ideais, pode tornar-se invasiva, sendo por isso muito importante nesta situação impedir que desenvolva sementes, cortando a parte aérea da planta. Esta operação permite também renovar caules e folhas, que irá produzir em abundância, interessante para quem gosta de a utilizar em casa. A poda da parte aérea torna-se fundamental também quando a planta é atacada por pragas ou doenças, às quais é particularmente sensível. Ao remover as partes afectadas, limpar a envolvente de partes secas e mortas, prevenindo assim o surgimento dos sintomas que muitas vezes se manifestam, como manchas necróticas, ferrugem, amarelecimento da planta, etc. Também as pragas se instalam com regularidade, principalmente os afídeos e a mosca-branca, sendo preferível em muitas ocasiões o corte da planta, que deve ser sempre rente ao solo.
Fácil de cultivar, é fundamental num jardim de plantas aromáticas, pela diversidade de características que possui. Também representa uma óptima opção em consociação, sobretudo com todo o tipo de couves, pelos seus efeitos benéficos para com estas plantas.
Propaga-se por sementeira, na Primavera. A germinação pode, por vezes, ser lenta. É fundamental que as sementes, que são muito pequenas, fiquem pouco enterradas, pois caso contrário poderão não germinar. Também podemos facilmente dividir os tufos que forma, na Primavera ou no Outono ou propagar por estacaria durante toda a Primavera/Verão.
Utiliza-se a parte aérea da planta na preparação de infusões, com a planta fresca ou seca, embora muitas pessoas refiram utilizá-la fresca, pois a maioria dos preparados comerciais que circulam no mercado são de muito má qualidade, com ausência total de aromas.
Também pode ser utilizada como planta condimentar. As folhas usam-se para dar sabor a saladas de legumes ou frutas.
Com inúmeras propriedades medicinais, é considerada anti-inflamatória, antioxidante, antiviral, digestiva, calmante e sedativa, associada a tratamentos de problemas nervosos, perturbações do sono e problemas gastrointestinais de origem nervosa tais como espasmos, enfartamento e anorexia e ainda no tratamento de febres e constipações. Na pouco conhecida tradição ervanária portuguesa, é considerada uma espécie de panaceia, recordo bem as palavras da minha bisavó, que dizia: “se o menino está doente, dá-lhe um chá de cidreira…” De facto, as propriedades da planta estão bastante estudadas, tendo a indústria farmacêutica em comercialização diversos preparados, não apresentando efeitos secundários, toxicidade ou interacções conhecidas.
Externamente, pode ser esfregada na pele para aliviar picadas de insectos ou mesmo para evitar que estes piquem, já que o seu óleo essencial é um excelente repelente. O óleo essencial é muito utilizado em aromaterapia. A procura da planta seca tem aumentado em toda a Europa, pelo que a sua cotação tem vindo a subir. Representa por isso, no momento, uma excelente opção para cultivo com fins comerciais.