Quinta alagada...

Este fim-de-semana confesso que fiquei assustado quando no Sábado encontrei a Quinta neste estado:

A barreira de contenção do excesso de água que há anos foi construída para o efeito ia sendo avançada pela água. Algo que só aconteceu uma vez desde que estamos nesta quinta.

Esta fotografia reflete um dos grandes erros do urbanismo actual: a excessiva impermeabilização dos solos com a construção desenfreada de estradas, casas e estruturas afins, leva a qua a água viaje a uma velocidade excessiva e se acumule nas zonas mais baixas rapidamente, levando à destruição de muros, como este, com dezenas de anos, e que já teve que ser reparado várias vezes.

Impressionante!!! Toda esta água estava a atravessar o muro!!!

 Esta fotografia, num campo de erva-cidreira (Melissa officinalis), ilustra bem a importância dos camalhões nas culturas agrícolas mais susceptíveis ao encharcamento. De facto, a água deposita-se nas zonas mais baixas (caminhos), correndo no sentido da inclinação do terreno, libertando rapidamente o sistema radicular do pernicioso excesso de água. Ao mesmo tempo lava-nos literalmente os cultivos, já que arrasta consigo partes mortas das plantas presentes, reduzindo o risco de ocorrência de doenças.

Erosão num caminho marcado pelos rodados do tractor e o grande lago ao fundo.

Toda esta água resulta também da presença de uma ribeira que infelizmente se encontra entubada e passa por baixo deste campo... Sempre ouvi falar da vontade da autarquia de um dia a voltar a por a céu aberto, como todos gostariamos de ver, mas não parece ser para breve...

Finalmente parou de chover e rompe o radiante e já saudoso sol. Já mais descansado, por não encontrar grandes estragos, olho e contemplo este efémero lago, que apenas ao fim de algumas horas deixa de o ser... Para que as barrosãs residentes tomem o prado de assalto na sua rotina diária de fazer pela vida e levar à boca o pasto (pouco) viçoso na ruminativa viagem digestiva!!! E a vida continua!!!

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2 comentários:

mugen disse...

As fotografias e os comentários estão muito interessantes. Estou a fazer erasmus em arquitectura paisagista na dinamarca e uma das cadeiras que estou a fazer incide muito em como adaptar as cidades à grande intensidades de chuva de certas tempestades. Apesar de ser um problema muito mais falado no norte da Europa, em Portugal também temos muitos casos onde certas dessas estratégias de design deveriam ser implementadas para evitar cheias, erosão, contaminação dos lençóis freáticos, etc.

José disse...

Li com a atenção o artigo e o comentário anterior. Estas questões fazem-me lembrar aquela "história" de que Portugal é um país de clima moderado, o que serviu (e ainda serve) de justificação para décadas de tão má construção. A impermiabilização dos solos é mais uma mostra de que o barato pode sair muito caro.