Quando nos rios se pescava com plantas
Ainda hoje recordo o espanto da primeira vez que vi imagens de indígenas da Amazónia a pescar apenas com plantas. Para uma criança fascinada pelo mundo natural, aquilo parecia impossível.
Homens e mulheres esmagavam raízes e cipós entre pedras, entravam devagar no rio, libertavam na água um sumo vegetal turvo e, pouco depois, os peixes começavam a subir à superfície, desorientados, frágeis, entregues às mãos ou às pequenas redes de quem conhecia aquele gesto há gerações.
Anos mais tarde, fui comprando e devorando uma razoável coleção de obras de etnobotânica, algumas acompanham-me há décadas e continuam a ser consultadas regularmente, como velhos cadernos de campo. Foi nestas páginas, entre plantas úteis, venenosas, medicinais e esquecidas, que percebi que aquela imagem distante da Amazónia tinha parentes próximos nos rios da Península Ibérica.
O que eu julgava longínquo, quase ritual e pertencente a outros territórios, aparecia afinal registado em poças, charcos, levadas e águas lentas do nosso país.
Mais tarde tive a oportunidade de confirmar estas memórias escritas junto de velhos agricultores, pescadores ocasionais e homens de rio e de terra, nas margens do Cabril, do Sabor e de pequenos afluentes transmontanos.
Falavam destas práticas em voz baixa, com a prudência de quem sabia que eram proibidas e com o respeito de quem nunca confundia uma planta perigosa com uma simples erva.
Neste mundo rural, o rio atravessava a vida das pessoas todos os dias. Nas margens aprendia-se a reconhecer as plantas pelo lugar onde cresciam, pelo aroma das folhas, pela cor da seiva ou pelos efeitos que produziam. Era um conhecimento construído pela observação, pela experiência e pela memória, onde alimento, cura e veneno cresciam muitas vezes lado a lado.
O embude, arrabaça ou salsa-dos-rios (Oenanthe crocata) ocupava um lugar central neste saber perigoso das margens. Cresce junto às linhas de água, nas valas, nos lameiros e nos lugares onde a terra conserva humidade durante grande parte do ano. À primeira vista pode confundir-se com plantas alimentares da mesma família, como a salsa, o funcho, a cenoura-brava ou o aipo.
Esta semelhança enganadora esteve na origem de muitos envenenamentos acidentais de pessoas e gado. As suas raízes tuberosas concentram oenantotoxina, substância capaz de provocar intoxicações violentas, convulsões e morte.
Na pesca fluvial, as raízes do embude eram esmagadas até formar uma pasta e espalhadas em poças, açudes e troços de corrente lenta, onde os peixes se tornavam mais vulneráveis.
Homens e mulheres esmagavam raízes e cipós entre pedras, entravam devagar no rio, libertavam na água um sumo vegetal turvo e, pouco depois, os peixes começavam a subir à superfície, desorientados, frágeis, entregues às mãos ou às pequenas redes de quem conhecia aquele gesto há gerações.
Anos mais tarde, fui comprando e devorando uma razoável coleção de obras de etnobotânica, algumas acompanham-me há décadas e continuam a ser consultadas regularmente, como velhos cadernos de campo. Foi nestas páginas, entre plantas úteis, venenosas, medicinais e esquecidas, que percebi que aquela imagem distante da Amazónia tinha parentes próximos nos rios da Península Ibérica.
O que eu julgava longínquo, quase ritual e pertencente a outros territórios, aparecia afinal registado em poças, charcos, levadas e águas lentas do nosso país.
Mais tarde tive a oportunidade de confirmar estas memórias escritas junto de velhos agricultores, pescadores ocasionais e homens de rio e de terra, nas margens do Cabril, do Sabor e de pequenos afluentes transmontanos.
Falavam destas práticas em voz baixa, com a prudência de quem sabia que eram proibidas e com o respeito de quem nunca confundia uma planta perigosa com uma simples erva.
Neste mundo rural, o rio atravessava a vida das pessoas todos os dias. Nas margens aprendia-se a reconhecer as plantas pelo lugar onde cresciam, pelo aroma das folhas, pela cor da seiva ou pelos efeitos que produziam. Era um conhecimento construído pela observação, pela experiência e pela memória, onde alimento, cura e veneno cresciam muitas vezes lado a lado.
O embude, arrabaça ou salsa-dos-rios (Oenanthe crocata) ocupava um lugar central neste saber perigoso das margens. Cresce junto às linhas de água, nas valas, nos lameiros e nos lugares onde a terra conserva humidade durante grande parte do ano. À primeira vista pode confundir-se com plantas alimentares da mesma família, como a salsa, o funcho, a cenoura-brava ou o aipo.
Esta semelhança enganadora esteve na origem de muitos envenenamentos acidentais de pessoas e gado. As suas raízes tuberosas concentram oenantotoxina, substância capaz de provocar intoxicações violentas, convulsões e morte.
Na pesca fluvial, as raízes do embude eram esmagadas até formar uma pasta e espalhadas em poças, açudes e troços de corrente lenta, onde os peixes se tornavam mais vulneráveis.
No Nordeste português, há memória da planta triturada em fresco, por vezes misturada com terra ou barro, e dispersa numa área limitada do rio. Pouco depois, os peixes surgiam a flutuar ainda vivos e podiam ser apanhados à mão.
Alguns relatos indicam que os que não eram apanhados, assim que alcançavam água limpa, recuperavam. Esta observação sugere que o chamado adormecimento nem sempre conduzia à morte imediata. Havia, contudo, um processo de intoxicação em curso.
O trovisco (Daphne gnidium) tinha uma aura ainda mais temida. Arbusto de folhas estreitas, ramos firmes e frutos muito tóxicos, cresce nos matos, taludes, orlas de bosques e encostas da paisagem mediterrânica.
Há registos do uso do trovisco na pesca em poças, açudes e pequenos charcos. Ramos, cascas ou raízes eram introduzidos na água, provocando a desorientação dos peixes e facilitando a captura.
Alguns testemunhos referem raízes de trovisco trituradas dentro de sacos de pano e mergulhadas em pequenas poças ou açudes. A corrente era reduzida com pedras e terra, permitindo que a planta libertasse gradualmente os seus compostos na água.
Primeiro surgiam as trutas, nadando de lado, como se o rio lhes tivesse roubado a direção. Depois podiam aparecer barbos, bogas, enguias, anfíbios e cobras de água. O preparado não escolhia. Atingia toda a comunidade aquática concentrada naquele troço do rio.
O verbasco, também conhecido como barbasco ou cáçamo (Verbascum spp.) seguia outro caminho. Com as suas folhas espessas, aveludadas e as hastes florais amarelas, podia surgir tanto como planta medicinal como instrumento de pesca. Folhas, flores, cápsulas e sementes contêm saponinas, substâncias capazes de perturbar a respiração dos peixes.
Em várias tradições ibéricas e mediterrânicas, os verbascos eram esmagados ou macerados na água para intoxicar a fauna aquática. Há registos de folhas e frutos triturados entre pedras e lançados em poças, deixando os peixes atordoados e fáceis de recolher à mão. A memória rural recorda estas plantas como capazes de fazer subir o peixe à tona e, muitas vezes, de o matar.
A aroeira ou lentisco (Pistacia lentiscus) também surge associada a práticas de pesca com plantas, embora com documentação menos abundante do que o embude, o trovisco ou o verbasco. Rica em resinas aromáticas, taninos e essências intensas, fazia parte da paisagem mediterrânica e era bem conhecida das comunidades rurais do Sul da Europa.
As eufórbias (Euphorbia spp.) traziam no próprio corpo vegetal a evidência do perigo. O látex branco, irritante e tóxico, inflamava a pele e os olhos, e algumas espécies foram usadas para atordoar ou matar peixe. A sua presença neste universo de plantas piscicidas ajuda a compreender a atenção com que as comunidades rurais observavam os efeitos das plantas sobre os animais e sobre o próprio corpo humano.
Dos rios vinha o peixe e, das suas margens, a matéria para o procurar, guardar e transportar. Ali cresciam salgueiros, juncos, caniços, freixos, amieiros e outras plantas de caules flexíveis, madeiras leves ou fibras resistentes, escolhidas para cestos, nassas, armadilhas, cabos, redes, cercas, flutuadores e pequenas ferramentas de pesca. A vegetação ribeirinha era uma oficina viva.
Cada uma oferecia uma qualidade própria. A flexibilidade dos vimes, a leveza da cortiça, a resistência dos juncos, a dureza de certas madeiras, os taninos de algumas cascas usados para tingir e conservar redes.
Este lado da etnobotânica da pesca é tão importante como o uso das plantas tóxicas. Mostra que o rio era um sistema inteiro de sobrevivência. Nele pescava-se, mas também se cortava, entrançava, tingia, reparava, transportava e conservava.
A mesma margem que escondia raízes perigosas e seivas capazes de atordoar peixes oferecia também as fibras com que se faziam os utensílios da pesca quotidiana. Antes do plástico, do nylon e do metal barato, grande parte da inteligência técnica das comunidades ribeirinhas passava pelas mãos e pelas plantas.
Estas práticas nasceram num contexto de sobrevivência. A pesca complementar podia fazer uma diferença importante na mesa de uma família rural. Uma poça cheia de peixe podia representar alimento imediato, sobretudo durante os meses mais secos, quando a vida aquática se concentrava em remansos e açudes.
A eficácia destas práticas tinha, porém, um custo ecológico elevado. Peixes, anfíbios, larvas, insetos aquáticos, crustáceos, macroinvertebrados e muitos outros organismos ficavam expostos aos mesmos compostos tóxicos. Em poças, açudes e troços de água pouco renovada, bastava uma pequena quantidade de planta para alterar profundamente o equilíbrio daquele ecossistema.
A tradição popular dizia que os peixes ficavam adormecidos. A realidade era mais complexa. Alguns recuperavam quando alcançavam água limpa e a exposição tinha sido breve. Outros morriam. O resultado dependia da espécie utilizada, da quantidade de planta, do caudal, da temperatura da água e do tempo de contacto.
Como podiam os pescadores e as suas famílias consumir estes peixes sem sofrerem eles próprios os efeitos da intoxicação?
Alguns relatos indicam que os que não eram apanhados, assim que alcançavam água limpa, recuperavam. Esta observação sugere que o chamado adormecimento nem sempre conduzia à morte imediata. Havia, contudo, um processo de intoxicação em curso.
O trovisco (Daphne gnidium) tinha uma aura ainda mais temida. Arbusto de folhas estreitas, ramos firmes e frutos muito tóxicos, cresce nos matos, taludes, orlas de bosques e encostas da paisagem mediterrânica.
Há registos do uso do trovisco na pesca em poças, açudes e pequenos charcos. Ramos, cascas ou raízes eram introduzidos na água, provocando a desorientação dos peixes e facilitando a captura.
Alguns testemunhos referem raízes de trovisco trituradas dentro de sacos de pano e mergulhadas em pequenas poças ou açudes. A corrente era reduzida com pedras e terra, permitindo que a planta libertasse gradualmente os seus compostos na água.
Primeiro surgiam as trutas, nadando de lado, como se o rio lhes tivesse roubado a direção. Depois podiam aparecer barbos, bogas, enguias, anfíbios e cobras de água. O preparado não escolhia. Atingia toda a comunidade aquática concentrada naquele troço do rio.
O verbasco, também conhecido como barbasco ou cáçamo (Verbascum spp.) seguia outro caminho. Com as suas folhas espessas, aveludadas e as hastes florais amarelas, podia surgir tanto como planta medicinal como instrumento de pesca. Folhas, flores, cápsulas e sementes contêm saponinas, substâncias capazes de perturbar a respiração dos peixes.
Em várias tradições ibéricas e mediterrânicas, os verbascos eram esmagados ou macerados na água para intoxicar a fauna aquática. Há registos de folhas e frutos triturados entre pedras e lançados em poças, deixando os peixes atordoados e fáceis de recolher à mão. A memória rural recorda estas plantas como capazes de fazer subir o peixe à tona e, muitas vezes, de o matar.
A aroeira ou lentisco (Pistacia lentiscus) também surge associada a práticas de pesca com plantas, embora com documentação menos abundante do que o embude, o trovisco ou o verbasco. Rica em resinas aromáticas, taninos e essências intensas, fazia parte da paisagem mediterrânica e era bem conhecida das comunidades rurais do Sul da Europa.
As eufórbias (Euphorbia spp.) traziam no próprio corpo vegetal a evidência do perigo. O látex branco, irritante e tóxico, inflamava a pele e os olhos, e algumas espécies foram usadas para atordoar ou matar peixe. A sua presença neste universo de plantas piscicidas ajuda a compreender a atenção com que as comunidades rurais observavam os efeitos das plantas sobre os animais e sobre o próprio corpo humano.
Dos rios vinha o peixe e, das suas margens, a matéria para o procurar, guardar e transportar. Ali cresciam salgueiros, juncos, caniços, freixos, amieiros e outras plantas de caules flexíveis, madeiras leves ou fibras resistentes, escolhidas para cestos, nassas, armadilhas, cabos, redes, cercas, flutuadores e pequenas ferramentas de pesca. A vegetação ribeirinha era uma oficina viva.
Cada uma oferecia uma qualidade própria. A flexibilidade dos vimes, a leveza da cortiça, a resistência dos juncos, a dureza de certas madeiras, os taninos de algumas cascas usados para tingir e conservar redes.
Este lado da etnobotânica da pesca é tão importante como o uso das plantas tóxicas. Mostra que o rio era um sistema inteiro de sobrevivência. Nele pescava-se, mas também se cortava, entrançava, tingia, reparava, transportava e conservava.
A mesma margem que escondia raízes perigosas e seivas capazes de atordoar peixes oferecia também as fibras com que se faziam os utensílios da pesca quotidiana. Antes do plástico, do nylon e do metal barato, grande parte da inteligência técnica das comunidades ribeirinhas passava pelas mãos e pelas plantas.
Estas práticas nasceram num contexto de sobrevivência. A pesca complementar podia fazer uma diferença importante na mesa de uma família rural. Uma poça cheia de peixe podia representar alimento imediato, sobretudo durante os meses mais secos, quando a vida aquática se concentrava em remansos e açudes.
A eficácia destas práticas tinha, porém, um custo ecológico elevado. Peixes, anfíbios, larvas, insetos aquáticos, crustáceos, macroinvertebrados e muitos outros organismos ficavam expostos aos mesmos compostos tóxicos. Em poças, açudes e troços de água pouco renovada, bastava uma pequena quantidade de planta para alterar profundamente o equilíbrio daquele ecossistema.
A tradição popular dizia que os peixes ficavam adormecidos. A realidade era mais complexa. Alguns recuperavam quando alcançavam água limpa e a exposição tinha sido breve. Outros morriam. O resultado dependia da espécie utilizada, da quantidade de planta, do caudal, da temperatura da água e do tempo de contacto.
Como podiam os pescadores e as suas famílias consumir estes peixes sem sofrerem eles próprios os efeitos da intoxicação?
A questão permanece difícil de responder. As fontes disponíveis referem o consumo regular do pescado capturado por estes métodos, sem relatos evidentes de intoxicação humana, embora o risco nunca possa ser excluído.
A explicação mais prudente encontra-se na experiência acumulada. As capturas realizavam-se geralmente em poças, remansos, açudes e zonas de água lenta onde o caudal era reduzido. Depois da pesca, restabelecia-se a circulação da água, e o peixe era eviscerado e lavado. Tratava-se de um conhecimento empírico, afinado ao longo de gerações, mas não de uma garantia toxicológica.
Hoje, em Portugal, estas práticas encontram proibição clara no regime jurídico da pesca em águas interiores. A Lei da Pesca nas Águas Interiores estabelece as bases da gestão sustentável dos recursos aquícolas, e o Decreto-Lei n.º 112/2017, de 6 de setembro, concretiza esta proteção.
No artigo 31.º, proíbe o uso, a detenção nas margens e o lançamento à água de substâncias capazes de causar morte, atordoamento ou alterações persistentes no comportamento ou na fisiologia dos peixes e de outros organismos aquícolas.
A ancestral memória rural evoca peixes adormecidos. A lei contemporânea refere morte, atordoamento e alterações da fisiologia. No fundo, ambas reconhecem a mesma realidade.
Um rio é uma comunidade viva, formada por peixes, anfíbios, insetos, plantas e inúmeros organismos que dependem uns dos outros. Este equilíbrio pode ser alterado em apenas alguns minutos, mas a sua recuperação pode demorar muitos anos.
Hoje, estas práticas sobrevivem sobretudo como memória etnográfica e testemunho da relação profunda entre comunidades rurais, rios e plantas tóxicas do nosso território.
Recordam um tempo em que a observação da natureza fazia parte da vida quotidiana e em que o conhecimento das plantas podia significar alimento, remédio ou perigo. Revelam uma sabedoria construída ao longo de gerações, moldada pela necessidade, pela experiência e pela proximidade constante com os recursos disponíveis.
Cada rio era conhecido nas correntes, nas poças e nos ciclos que marcavam o seu ritmo. Cada planta tinha uma história, uma utilidade e um lugar na memória coletiva das populações. Entre o veneno e o alimento existia apenas a espessura frágil da água corrente sobre as pedras de um ribeiro.
A explicação mais prudente encontra-se na experiência acumulada. As capturas realizavam-se geralmente em poças, remansos, açudes e zonas de água lenta onde o caudal era reduzido. Depois da pesca, restabelecia-se a circulação da água, e o peixe era eviscerado e lavado. Tratava-se de um conhecimento empírico, afinado ao longo de gerações, mas não de uma garantia toxicológica.
Hoje, em Portugal, estas práticas encontram proibição clara no regime jurídico da pesca em águas interiores. A Lei da Pesca nas Águas Interiores estabelece as bases da gestão sustentável dos recursos aquícolas, e o Decreto-Lei n.º 112/2017, de 6 de setembro, concretiza esta proteção.
No artigo 31.º, proíbe o uso, a detenção nas margens e o lançamento à água de substâncias capazes de causar morte, atordoamento ou alterações persistentes no comportamento ou na fisiologia dos peixes e de outros organismos aquícolas.
A ancestral memória rural evoca peixes adormecidos. A lei contemporânea refere morte, atordoamento e alterações da fisiologia. No fundo, ambas reconhecem a mesma realidade.
Um rio é uma comunidade viva, formada por peixes, anfíbios, insetos, plantas e inúmeros organismos que dependem uns dos outros. Este equilíbrio pode ser alterado em apenas alguns minutos, mas a sua recuperação pode demorar muitos anos.
Hoje, estas práticas sobrevivem sobretudo como memória etnográfica e testemunho da relação profunda entre comunidades rurais, rios e plantas tóxicas do nosso território.
Recordam um tempo em que a observação da natureza fazia parte da vida quotidiana e em que o conhecimento das plantas podia significar alimento, remédio ou perigo. Revelam uma sabedoria construída ao longo de gerações, moldada pela necessidade, pela experiência e pela proximidade constante com os recursos disponíveis.
Cada rio era conhecido nas correntes, nas poças e nos ciclos que marcavam o seu ritmo. Cada planta tinha uma história, uma utilidade e um lugar na memória coletiva das populações. Entre o veneno e o alimento existia apenas a espessura frágil da água corrente sobre as pedras de um ribeiro.

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