Mundial de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas Tradicionais - Cromo 9 - Chícharo
Inspirado no Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas 2026, decidi lançar esta coleção de cromos dedicada às variedades tradicionais de hortícolas portuguesas que estão a competir no Mundial de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas Tradicionais, atualmente a decorrer no Entroncamento.
Espero que esta coleção se venha a tornar num fenómeno!
E que ajude a dar a conhecer algumas das hortícolas mais emblemáticas do nosso património agrícola.
O sétimo cromo que apresento é dedicado a uma das leguminosas tradicionais portuguesas mais resistentes, discretas e teimosas, o chícharo.
O número 9 da nossa seleção. Entra nos oitavos com corpo firme, casca resistente e instinto de área. Ontem Portugal venceu a Croácia por 2-1 nos dezasseis-avos de final, num jogo decidido por um golo de ponta de lança, daqueles que aparecem quando a eliminatória já pede presença, sangue-frio e sentido de oportunidade.
Há sementes assim. Parecem modestas dentro do saco, quase esquecidas na prateleira, até chegarem ao tacho e mostrarem que também sabem decidir jogos compridos.
O chícharo não é jogador de relva macia. Vem da família das leguminosas de sequeiro, habituadas a solos pobres, verões duros e cozinhas que aprenderam a fazer render o alimento sem desperdiçar nada. É semente de resistência, daquelas que atravessam anos difíceis, mãos calejadas e receitas de lume lento. Precisa de tempo, demolha, água certa e paciência, como tudo o que parece simples e afinal exige saber.
No catálogo, o chícharo aparece com nomes como Grão da Comenda e Grão da Gramicha. Nomes de campo, de lugar e de gente. Nomes que parecem vir já com pedra quente, panela ao lume e a teimosia boa das sementes que recusam desaparecer.
Na mesa, pode entrar em sopas, guisados, purés e pratos tradicionais. Não procura enfeitar o prato. Dá-lhe corpo. Engrossa, alimenta, sustenta e lembra que há alimentos aparentemente modestos capazes de segurar uma refeição inteira. Um bom número 9 também é isso. Pode passar muito tempo sem tocar na bola, mas quando chega o momento certo tem de aparecer.
Agora vem Espanha, no dia 6 de julho. Um jogo ibérico, de nervo, história e mesa cheia. De um lado e do outro há leguminosas, tachos, azeite, pão e muitas formas de transformar sementes secas em comida de verdade. Que Portugal leve para os oitavos a mesma lição do chícharo. Resistir no campo, esperar pelo tempo certo e fazer valer cada oportunidade.
A fase a eliminar continua e a competição promete ser renhida. Couves, feijões, cebolas, abóboras, cenouras, melões e chícharos disputam a preferência do público numa prova onde contam a história, a resistência, a adaptação ao território e o valor patrimonial de cada variedade.
Para reunir todos os cromos, poderá descarregar gratuitamente a magnífica caderneta oficial nesta ligação:
Fique atenta(o) aos próximos cromos. Acreditamos que esta é a melhor seleção de sempre. Portugal!
Espero que esta coleção se venha a tornar num fenómeno!
E que ajude a dar a conhecer algumas das hortícolas mais emblemáticas do nosso património agrícola.
O sétimo cromo que apresento é dedicado a uma das leguminosas tradicionais portuguesas mais resistentes, discretas e teimosas, o chícharo.
O número 9 da nossa seleção. Entra nos oitavos com corpo firme, casca resistente e instinto de área. Ontem Portugal venceu a Croácia por 2-1 nos dezasseis-avos de final, num jogo decidido por um golo de ponta de lança, daqueles que aparecem quando a eliminatória já pede presença, sangue-frio e sentido de oportunidade.
Há sementes assim. Parecem modestas dentro do saco, quase esquecidas na prateleira, até chegarem ao tacho e mostrarem que também sabem decidir jogos compridos.
O chícharo não é jogador de relva macia. Vem da família das leguminosas de sequeiro, habituadas a solos pobres, verões duros e cozinhas que aprenderam a fazer render o alimento sem desperdiçar nada. É semente de resistência, daquelas que atravessam anos difíceis, mãos calejadas e receitas de lume lento. Precisa de tempo, demolha, água certa e paciência, como tudo o que parece simples e afinal exige saber.
No catálogo, o chícharo aparece com nomes como Grão da Comenda e Grão da Gramicha. Nomes de campo, de lugar e de gente. Nomes que parecem vir já com pedra quente, panela ao lume e a teimosia boa das sementes que recusam desaparecer.
Na mesa, pode entrar em sopas, guisados, purés e pratos tradicionais. Não procura enfeitar o prato. Dá-lhe corpo. Engrossa, alimenta, sustenta e lembra que há alimentos aparentemente modestos capazes de segurar uma refeição inteira. Um bom número 9 também é isso. Pode passar muito tempo sem tocar na bola, mas quando chega o momento certo tem de aparecer.
Agora vem Espanha, no dia 6 de julho. Um jogo ibérico, de nervo, história e mesa cheia. De um lado e do outro há leguminosas, tachos, azeite, pão e muitas formas de transformar sementes secas em comida de verdade. Que Portugal leve para os oitavos a mesma lição do chícharo. Resistir no campo, esperar pelo tempo certo e fazer valer cada oportunidade.
A fase a eliminar continua e a competição promete ser renhida. Couves, feijões, cebolas, abóboras, cenouras, melões e chícharos disputam a preferência do público numa prova onde contam a história, a resistência, a adaptação ao território e o valor patrimonial de cada variedade.
Para reunir todos os cromos, poderá descarregar gratuitamente a magnífica caderneta oficial nesta ligação:
Fique atenta(o) aos próximos cromos. Acreditamos que esta é a melhor seleção de sempre. Portugal!

Comentários