Mundial de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas Tradicionais - Cromo 15 - Nabo Bola de Neve

Inspirado no Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas 2026, decidi lançar esta coleção de cromos dedicada às variedades tradicionais de hortícolas portuguesas que estão a competir no Mundial de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas Tradicionais, atualmente a decorrer no Entroncamento.

Infelizmente não será em 2026 que esta coleção se irá tornar num fenómeno… Logo após a derrota com Espanha, a Federação Hortícola comunicou que não haverá orçamento para mais cromos.

Ainda assim, contribuiu para dar a conhecer algumas das hortícolas mais emblemáticas do nosso património agrícola.

O oitavo e último cromo que apresento é dedicado a uma das hortícolas tradicionais portuguesas mais simples, redonda e certeira, o Nabo Bola de Neve.

O número 15 da nossa seleção. Esperávamos que a Bola de Neve crescesse, rolasse pelos oitavos e caísse como avalanche sobre os adversários, mas o calor das Américas derreteu-nos as vontades.

Ficou uma raiz branca, redonda e honesta, muito mais competente na terra do que fomos no relvado.

É variedade tradicional de pele lisa, polpa tenra e crescimento rápido, daquelas que fazem jus ao nome antes mesmo de chegar à cozinha. Pede colheita no ponto certo e mostra que, numa só planta, há mais jogo do que parece.

Primeiro vem a raiz. Depois as nabiças. Mais tarde, quando a planta avança para a floração, chegam os grelos, essas inflorescências jovens que a cozinha portuguesa aprendeu a tratar com respeito. Felizes os espanhóis, que vão comer grelos com fartura, pelo menos até aos quartos…

Para dar boas colheitas precisa de ser bem semeado, bem conduzido e bem treinado em campo. É fundamental ter boas alfaias, afinadas para o terreno, o clima e o momento certo de entrar em serviço. Há alfaias com muita história, carregadas de lavoura, suor e vitórias antigas, que já não conseguem trabalhar o dia inteiro ao mesmo ritmo.

Há maquinaria que serviu bem durante anos, mas começa a pedir descanso quando o solo endurece, o calor aperta e o campo exige outra velocidade. A falta de renovação do parque de máquinas pagou o seu preço. Em agricultura e, pelos vistos, também em futebol.

Também se podia dizer que fomos um pouco nabos. A língua portuguesa permite estas crueldades agrícolas e o resultado não ajuda à defesa. Ainda assim, há nabos que merecem melhor fama do que muitos jogos. Este pertence a essa categoria. Não promete fintas, não pede palco e não se arma em estrela. Cresce rente ao chão, guarda frescura no corpo branco e lembra que até a simplicidade pode ser património.

A fase a eliminar continua, mas a nossa caderneta termina aqui. Couves, feijões, cebolas, abóboras, cenouras, melões, chícharos e nabos disputaram a preferência do público numa prova onde contaram a história, a resistência, a adaptação ao território e o valor patrimonial de cada variedade.

A caderneta oficial ficou muito incompleta, mas ainda poderá ser descarregada gratuitamente nesta ligação: 




 

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