Plantas carnívoras

Este género de plantas ocupa um lugar muito especial na minha "catedral" de emoções botânicas: Há vários anos atrás, a minha paixão foi tão grande e assolapada, que me tornei membro de várias associações internacionais, como a Australian Carnivorous Plant Society, The Carnivorous Plant Society e a International Carnivorous Plant Society, (ainda tenho os cartões de sócio!!!) tudo para aprender mais sobre estes fascinantes e normalmente raros seres vivos. A preparação do programa desta semana foi por isso vibrante, como o reencontro de um velho mas doce romance.
Sim existem, tem estranhos feitios, são muito bonitas e dedicam-se a atrair insectos, ratos, sapos, rãs e até peixes e outros seres aquáticos, com estratégias incríveis. Tento aqui mostrar como ter estas plantas em casa, sem perigo de vida!!! Agradeço à Jardiland ter cedido as plantas para esta rubrica.

Ao longo de vários anos de caminhadas e no meio de inúmeras expedições botânicas, várias vezes me cruzei no nosso país com as espécies que por cá existem, quase todas elas em risco de extinção, sobretudo pela especificidade do habitat em que vivem. Ficam algumas memórias de uma saída de campo em Julho de 2003, algures no Gerês (não imaginam o prazer que me dá revolver o baú de fotografias e encontrar estas preciosidades que me recordam tantos e tão bons momentos).
Habitat de plantas carnívoras, no Gerês

Drosera rotundifolia (pequena planta com carnivorismo semi-activo. Os insectos são atraídos, ficando presos nos pêlos que possuem umas gotículas viscosas. à medida que o insecto se vai debatendo, as folhas movem-se, muito devagar, numa espécie de abraço mortal).

Pormenor de folha de Drosera rotundifolia

Pinguicula lusitanica (pequena planta com carnivorismo passivo. Os insectos são atraídos, pelo cheiro que as folhas viscosas libertam, ficando presos nas mesmas, acabando o insecto por ser lentamente digerido. Não possuem movimento).

Das centenas de espécies de plantas carnívoras existentes no mundo inteiro, o Drosophyllum lusitanicum é a única que se desenvolve em locais secos e arenosos, muitas vezes no meio de pinhais ou matorrais. É conhecido localmente por pinheiro baboso ou orvalho do sol. Encontrei cerca de uma dezena de exemplares há vários anos atrás na Serra de Valongo, rodeados de entulho despejado e até lixo hospitalar. Acho que com a tristeza, nunca mais voltei aquele local, só de imaginar que, se fosse bem gerido, seria um impressionante parque botânico, com espécies únicas e à porta de uma grande cidade, como o Porto... Esta será talvez uma das plantas carnívoras mais raras do mundo!!! E é um endemismo ibérico!!!

Drosophyllum lusitanicum (foto extraída da web)

Tive também uma pequena colecção particular, da qual ainda guardo fotos das seguintes plantas:

Drosera capensis

Drosera binata

Nepenthes sp.

Visitei alguns festivais internacionais de jardinagem, onde estas plantas ocupam sempre um lugar de destaque, até pela enorme curiosodade que suscitam.

Sarracenia sp. no Chelsea Flower Show, Inglaterra

Flor de Sarracenia sp.

De todas as plantas carnívoras, talvez a mais espectacular e por isso, mais conhecida, seja a Dionaea muscipula (Venus flytrap, não tem tradução em português), que Darwin classificou como uma das plantas mais maravilhosas do planeta!!! De facto é uma das poucas espécies que possui carnivorismo activo, ou seja, o movimento das suas armadilhas é perceptível a olho nú, de uma forma impressionante!!! Deixo aqui alguns vídeos fascinantes, a não perder.

Dionaea muscipula







Que enorme prazer me deu fazer este post!!!

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CONVERSATION

3 comentários:

fbminis disse...

Viva! Descobri o seu trabalho através do forum.carnivoras.org quando alguém linkou um video da sua rúbrica nas manhãs da RTP1. Sinceros parabéns, sobretudo pela divulgação destes temas, que infelizmente ainda passam ao lado de um grande número de portugueses. Adquiri por acaso uma Drosera Capensis (alba?) e uma Dioneaea num hipermercado e quanto mais vou lendo sobre estas plantas, mais vontade tenho de continuar a descobri-las. A Felizmente a Drosera é bastante permissiva, a Dionaea nem tanto. Ainda assim mantenho-as há quase 1 ano, sempre com água destilada. Corrigi a questão da pouca luz que recebiam, sendo que a Drosera se tornou muito mais vicosa. No entanto, a Dionaea está em recuperação após ter florido e ter ficado muito débil. Estou também a tentar cultivar uma espécie de Quenopódio, denominada Teloxys Aristata. Depois de secas, servirão de decoração em dioramas à escala mas entretanto tenho sentido algumas dificuldades. Gostaria de lhe perguntar se conhece esta espécie e se a temos cá por Portugal. Já andei pelo google e pela Wikipedia mas não encontrei bibliografia adequada. Obrigado desde já e continuação de bom trabalho.

http://teloxysaristata.blogspot.com

cecilia.cascais disse...

Olá agora percebo porque as minhas Dioneas me morriam :água da torneira
ADORO plantas carnivoras,neste momento tenho uma serracena leicofhylla,gostava que me ajuda-se com alguma informação,rega,sol etc,pois nao queria que esta me morresse também ,além disso foi um presente da minha filha,e adoro estas plantas.se puder deixar resposta no meu blog agradeço
Muito obrigada

Cédric Pereira disse...

Boas. Adoro plantas carnivoras, é mesmo uma grande paixão. Com essa paixão criei um forum. Venho aqui publicitar a todos os amantes de plantas carnivoras o nosso forum: Comunidade Portuguesa Plantas Carnivoras

http://plantascarnivoras.forumr.net/

Cumprimentos