quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

Kiwi e Medronhos

Que grande prazer me deu fazer esta rubrica sobre kiwi e medronho!!! Foi como que juntar o popular e mundialmente conhecido (kiwi) com o esquecido mas resiliente (medronho). Um foi introduzido, o outro já cá está há milhares de anos, ambos com um potencial alimentar tremendo.

Dois frutos que me trazem memórias inesquecíveis: a primeira vez que provei o ainda exótico (e raro) kiwi, e a sensação de estranheza e confusão na boca que causaram o seu peculiar gosto e textura única!!! Além do preço, na altura proibitivo... E as tardes de Outono no Campus da UTAD, antes ou depois de uma partida de ténis, o assalto aos irresistíveis frutos que povoavam os medronheiros das redondezas... Talvez por isso as partidas fossem sempre tão "divertidas"!!! Estas e outras informações preciosas no vídeo que se segue, que pelo tema, companhia e prazer que deu, se fez longo...



A Actinidea sp., nome científico da planta do kiwi, é oriunda da China, do vale do Rio Yantzé. Por volta do século XVI, um Padre jesuíta francês, Incarville, trouxe a planta para a Europa, contudo, só a partir de 1970 é que esta cultura começou a ter expressão na Europa.

Foi na Nova Zelândia, que esta planta teve maior impacto. Em 1906, foram levadas por Isabel Frazer, de regresso de uma viagem à China, a primeiras sementes de Actinidea para a Nova Zelândia e em 1924 foi desenvolvida a variedade Hayward que produz os frutos, que ainda hoje encontramos no mercado. A Nova Zelândia foi o país que mais desenvolveu esta cultura, tornando a Actinidea uma das culturas mais interessantes da agricultura.

Desde então foram desenvolvidas outras variedades, no entanto, nenhuma consegue substituir a variedade Hayward. Hoje conhecem-se pelo menos 70 espécies do género Actinidea. Actualmente, o principal produtor mundial de kiwis é Itália, que recentemente ocupou o lugar da Nova Zelândia.

Em Portugal, a cultura foi iniciada na década de 70 pelo Dr. Ponciano Serrano que trouxe de França as plantas e plantou o primeiro pomar, reconhecendo as excelentes condições edafo-climáticas da Região para a produção de kiwis. Na década de 80 a cultura começou a ter alguma expansão devido à sua rentabilidade. No entanto, em 1992 o mercado teve uma quebra acentuada nos preços pagos ao produtor, o que gerou abandono de parte dos pomares e grande desmotivação nos kiwicultores.

Com o passar dos anos os preços estabilizaram e a partir de 2000 surgiu novamente o interesse pela cultura, motivado pelas Organizações de Comercialização Nacionais e pelo incremento de novas tecnologias de produção que melhoraram as produtividades e a qualidade. Portugal produz anualmente cerca de 12000 toneladas de kiwi numa área de 1000 hectares, com cerca de 300 produtores e 5 grandes Organizações de Comercialização.

Sabia que o kiwi é um dos frutos com maior concentração em vitamina c?
O kiwi é o fruto mais rico em Vitamina C (concentração três vezes superior à da laranja).

Sabia que o kiwi é uma fonte importante de fibra podendo ser utilizado como laxante natural?
Um kiwi, fornece uma dose de fibras crua superior à de um prato de flocos de cereais, com a vantagem de não necessitar de ser acompanhado de alimentos gordos ou doces.

Sabia que o kiwi é extremamente baixo em calorias?
Um kiwi médio fornece aproximadamente 65 Kcal, uma vez que 90% do seu peso é constituído por água.

Sabia que o kiwi é um antioxidante natural, o que permite prevenir o cancro e outras doenças?
Possui compostos com efeitos preventivos do cancro, doenças cardiovasculares e doenças de foro intestinal.

Sabia que o kiwi é uma fonte importante em ácido fólico?
Na gravidez, em fase de crescimento e em situações de cicatrização, o ácido fólico tem um papel fundamental. O ácido fólico degrada-se com a cozedura, mas como o kiwi é ingerido em fresco, torna-se uma das únicas fontes deste nutriente.

Sabia que os kiwis de portugal têm características excepcionais?
Devido à conjugação das características de solo e de clima (elevado número de horas de sol) aliado a técnicas tradicionais de produção, assim como à sua colheita tardia, o kiwi português é colhido “maduro”, pelo que os kiwis de Portugal apresentam características de sabor superiores (mais doces e aromáticos).

Sabia que o kiwi tem imensas utilidades em culinária?
O kiwi pode ser consumido em sanduíches, saladas de hortícolas ou de fruta, em puré, em sobremesas, em bebidas e naturalmente inteiro. Já experimentou cortar um kiwi ao meio e comê-lo com uma colher!!!

Aprenda a comer kiwi
A melhor forma de comer o fruto do kiwi é com uma colher como se fosse um iogurte. Para isso é necessário que o kiwi esteja no ponto óptimo para consumo, nem muito duro nem muito mole, e cortar o kiwi ao meio com uma faca. Depois delicie-se com esse fruto saboroso.

Curiosidade: Normalmente as crianças são um pouco relutantes a consumir kiwi. Mas se lhe der a provar kiwi com a colher, eles vão adorar e vão começar a pedir kiwi mais vezes… o que é óptimo porque contribui para o bem-estar nutricional deles!!!

Aprenda a escolher o kiwi
Pegue num kiwi e aperte-o ligeiramente com o polegar. Se sentir que quando pressionado cede um bocadinho e a seguir volta à sua forma inicial, significa que está no ponto ideal para consumo. Se não voltar à forma inicial, significa que já está demasiado maduro. Se ao pressionar não verificar que cede à pressão, então leve para casa e espere que amadureça.

Aprenda a amadurecer o kiwi
Se comprou kiwis ainda verdes, coloque-os num saco de plástico com uma ou duas maçãs. Depois tem que ter o cuidado de ir controlando todos os dias e retirando os kiwis maduros, porque o seu amadurecimento é muito rápido e, se se esquecer podem ficar maduros demais.

Poda – Obter uma boa distribuição das varas de produção de forma a assegurar uma boa frutificação, arejamento, polinização e luminosidade da copa. Após a queda das folhas no período compreendido entre meados de Dezembro a meados de Fevereiro.

Nº varas – em compasso 5x5 – 22 a 25 varas/planta; em compasso 5x3 – 15 a 18 varas;

Empa – atar as varas aos arames de suporte tendo o cuidado de não as cruzar entre si de forma a permitir uma boa penetração de luminosidade e boas condições de polinização.

Fertilização e correcções – calcário e matéria orgânica, de Dezembro a Março.

Enxertias – quando há problemas de má polinização podem enxertar-se machos de má floração assim como enxertar varas de machos em plantas fêmeas, a fim de solucionar o problema. Feitas na 2ª quinzena de Fevereiro, caso hajam rebentos no tronco, ou a partir de Junho, em rebentos do ano que surjam no tronco.

O medronheiro (Arbutus unedo) é um arbusto ou pequena árvore de folha perene, que empresta cores e sabores aos matagais mediterrânicos. É particularmente conhecido pela aguardente de medronho preparada a partir dos seus frutos. Pertence à família das Ericáceas, partilhando-a com as urzes (Erica sp.). É um arbusto ou uma árvore de pequena dimensão. Pode atingir os 8 a 10 m de altura ainda que usualmente não ultrapasse os 5 m.

As folhas são persistentes (existem folhas na copa durante todo o ano), grandes (medem 4 a 11 cm). São muito parecidas com as do loureiro. As flores são pequenas, com um cálice curto, esverdeadas, reunidas em cachos (ramalhetes). Os frutos são globosos, granulosos ou eriçados na superfície, medem entre 20 a 25 mm, de cor avermelhada quando maduros, com sementes pequenas, angulares e de cor castanha.

Floresce no Outono ou no princípio do Inverno. A maturação dos frutos ocorre no Outono do ano procedente. É nesta época, devido ao facto de a floração e a maturação dos frutos do ano anterior ser simultânea, que o medronheiro se cobre de uma "veste" colorida de grande beleza. Nas suas cores podemos encontrar o verde brilhante das folhas, o branco das flores e os frutos que são inicialmente amarelos, tornando-se vermelhos com a sua maturação.
 
Antigamente o medronheiro era usado como combustível sob a forma de carvão, para a indústria de curtumes e sobretudo no fabrico de aguardente. Actualmente, a sua utilização ao nível económico e social centra-se na produção da aguardente de medronho. Esta produção é anual e todo o processo de destilação é realizado em adegas artesanais, nos próprios povoamentos ou nas suas imediações. A exploração do medronheiro encontra-se fortemente enraizada nos hábitos culturais das populações das áreas serranas Algarvias, desde a apanha dos frutos (de Outubro a Dezembro), passando pela fermentação e posteriormente pela destilação (de Dezembro a Março).
 
Um medronheiro pode produzir excepcionalmente uma arroba (15 Kg) de fruto por ano, ficando-se em média entre os 7 e os 9 Kg. A despesa da apanha e respectivo transporte do medronho até à adega representa cerca de 56% do valor de produção. O medronho é destilado em alambique, sendo necessário uma arroba de fruto para produzir 1,5 a 2 litros de aguardente. A aguardente de medronho pode atingir preços na ordem dos 7,5 a 20 euros por litro, dependendo do estatuto do comprador (particular ou intermediário) e da zona onde foi produzida.

Além da produção da aguardente de medronho, existe um aumento da procura de rama verde para arranjos florais, estando o seu uso como espécie ornamental em expansão. Devido à abundância da sua floração, o medronheiro é uma espécie com interesse do ponto de vista apícola. A sua madeira constitui um excelente combustível sendo também boa para tornear, os ramos mais jovens são utilizados em cestaria, as folhas podem servir para forragem e as folhas mais as cascas podem ser utilizadas na indústria de curtumes.

1 comentário:

Quinta das Mogas disse...

Olá Luís

Acabei de plantar alguns medronheiros em Amarante para fazer uma sebe, realmente são arbustos fantásticos.
Infelizmente não vou poder estar presente na oficina de apicultura do CMIA para aprender a importância da polinização e tirar dúvidas com o Luís. Espero que haja uma nova oportunidade de repor esta oficina tão importante, quem sabe no Cantinho das Aromáticas.

Obrigado pela qualidade dos seus posts.