segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Plantas autóctones

Perdemos já 1/8 de todas as plantas com as quais partilhámos o planeta: um pensamento que perturba qualquer pessoa. Existem sete vezes mais plantas ameaçadas do que animais nas mesmas condições, ainda assim muito mais dinheiro é gasto em programas de conservação de animais. Nos Estados Unidos, 97% do investimento federal em planos de conservação é gasto em programas de conservação animal e só 3% é gasto com programas de conservação de plantas.
O comércio de plantas ameaçadas continua em muitas partes do mundo, No nosso país é ainda prática corrente a colecta de populações espontâneas destas plantas, o que tem vindo a contribuir para a degradação de ecossistemas e o gradual desaparecimento de algumas espécies. Nos países desenvolvidos as normas de qualidade e os custos de mão-de-obra tem contribuído para o fim da colecta local de PAM, dando lugar à sua importação de países em vias de desenvolvimento.
Entre a comunidade botânica e científica, hortícola e comercial, e o público em geral, possuímos os conhecimentos, o entusiasmo e a habilidade para cultivar e conservar estas plantas. Mas, mais importante, precisamos de ter a vontade.
Horticultores, viveiristas, paisagistas, técnicos de espaços verdes, e todas as pessoas em geral, devem ter consciência que a preservação das plantas deve ter um significado especial. A procura de plantas para jardim foi, e ainda é, uma ameaça para as plantas selvagens, e este é um problema que a comunidade hortícola pode ajudar a resolver. Os conhecimentos de quem faz propagação de plantas e as suas colecções podem contribuir para os esforços de preservação de plantas ameaçadas, mas para que os seus esforços tenham algum valor a longo prazo, são necessários conhecimentos sobre métodos de conservação.
No Cantinho das Aromáticas produzem-se espécies autóctones, algumas delas já raras no estado selvagem. Procura-se transmitir este conhecimento às pessoas que as levam para casa, de forma a poderem valorizar recursos genéticos que são também património cultural da humanidade, podendo assim contribuir para a sua preservação. Entre estas plantas encontram-se:

  • Alfazema-de-flor-branca (Lavandula viridis); é um endemismo ibérico, ocorre na serra de monchique e é incrivelmente perfumada e bonita.


  • Alfazema-de-folha-recortada (Lavandula multifida); outro endemismo ibérico, vive em areia, na Serra da Arrábida e é a mais pequena das Lavandulas de Portugal. Tem um forte aroma característico, absolutamente distinto das outras alfazemas, que faz lembrar orégãos. Está em flor todo o ano. Lindíssima pelo fino recortado das suas folhas e pela estrutura delicada das flores.


  • Aquilégia (Aquilegia vulgaris); Ocorre cada vez menos, muito por culpa da excessiva utilização de herbicidas, esta delicada herbácea possui uma das flores com arquitectura mais complexa da flora de Portugal.


  • Arméria (Armeria marítima); Vive nas dunas, frente ao mar. No nosso jardim ou floreira tem um comportamento espantoso já que precisa de muito pouco para viver e oferece em troca um grande número de flores cor lilaz.


  • Arméria-de-flor-branca (Armeria pseudoarmeria); com folhas mais largas, forma também tufos dos quais brotam inúmeras flores brancas.


  • Betónica (Stachys officinalis); Esta pequena herbácea está muito esquecida. É uma excelente opção até para zonas mais húmidas e sombrias do jardim. Produz inúmeras flores muito bonitas.


  • Cardo-marítimo (Eryngium maritimum); no nosso país os cardos são normalmente desprezados, o que não acontece onde as pessoas gostam mais de plantas do que nós. Os cardos são óptimos para jardins, pela sua floração de cor intensa e até pela sua faceta anti-vandalismo!!!


  • Erva-peixeira (Mentha cervina) planta rara que ocorre em zonas húmidas do nosso país. Ainda é utilizada para preparar alguns pratos fantásticos, como os famosos peixinhos do rio, servidos na foz do rio Sabor;

  • Fidalguinhos (Centaurea cyanus); rara também pela excessiva utilização de herbicidas entre outros factores, é uma belíssima flor silvestre.

  • Hortelã-de-cabra (Cedronella canariensis); exclusiva das ilhas Canárias e da Madeira, é um arbusto semelhante ao limonete, cujas folhas exalam um forte e agradável aroma perfumado. Possui floração abundante e pertence à minha família de plantas favorita, as labiadas. É rara.


  • Marióilas (Phlomis fruticosa); possui folhagem cinzenta esbranquiçada e produz inúmeras flores amarelas durante todo o Verão. Vive com muito pouca água e é um arbusto magnífico para qualquer jardim. Pouco frequente no nosso país.


  • Nêveda-dos-gatos (Nepeta cataria); Além de ser uma das plantas favoritas dos gatos, esta linda planta herbácea possui cachos de flores brancas extremamente atractivas para insectos melíferos. Muito rara em Portugal.

  • Rosmaninho-maior (Lavandula pedunculata); Comum em Portugal, apresenta no entanto um pedúnculo mais comprido do que aqueles que são normalmente vendidos nos centros de jardinagem, além de ser também mais resistente a condições adversas.


  • Saganho-mouro (Cistus salvifolius); Muito comum no país e geralmente menosprezada. Quando bem cuidada, no jardim, resulta absolutamente espectacular, pela abundância de flores que produz.


  • Santolina (Santolina rosmarinifolia); uma excelente alternativa a outra espécie muito utilizada em jardins, a Santolina chamaecyparissus, pelo seu maior porte, cor verde intensa e floração abundante.


  • Teixo (Taxus baccata); Em vias de extinção no nosso país, esta conífera de crescimento lento apenas ocorre no Gerês e também na Serra da Estrela. Alguns exemplares são muito velhos. Não consigo compreender como não é mais cultivado no nosso país, quando por exemplo em Inglaterra é tão utilizado até para constituir sebes.


  • Tomilho bela-luz (Thymus mastichina); Um endemismo ibérico, o mais fantástico de todos os tomilhos, também conhecido como sal puro por ser utilizado tradicionalmente para este substituir na alimentação.


  • Tomilho-canforado (Thymus camphoratus); Vive nas dunas, é raro, de cheiro e sabor intenso. Óptimo para cultivar em jardins de baixa manutenção.


  • Tomilho-das areias (Thymus carnosus); Vive nas dunas, é raro, de cheiro e sabor intenso. Óptimo para cultivar em jardins de baixa manutenção.


  • Tomilho-serpão (Thymus serpyllum); Este tomilho, ao contrário dos anteriores, cresce de forma prostrada, criando um tapete, que pode ser uma excelente opção para zonas secas ou pedregosas, apiários, taludes, etc. Quando em flor quase deixámos de ver o verde das folhas e caules, tal é a sua abundância.

A lista com todas as espécies autóctones que produzimos está disponível aqui: http://spreadsheets.google.com/pub?key=p554TJXokm9_8DjE4wBZ-YQ

2 comentários:

Green disse...

Excelente trabalho. Estou completamente de acordo com a ideia de que temos de ser nós a preservar a flora que está a ser desprezada. Estou a desenvolver um trabalho que visa melhorar a Rua Actor Vale em Lisboa tendo por base uma visão mais Eco. Uma das ideias que tenho é de colocar nessa rua árvores autóctones e plantas rasteira obviamente autóctones. As plantas de jardim provenientes da Ásia e América do Sul foram deixadas completamente de parte.
Obrigado pela página que me ajudou na procura de plantas indígenas da Península Ibérica.

Sara disse...

excelente, estava mesmo à procura de informação sobre o tema.
é sempre bom lembrar que estes tesouros podem desaparecer se não tomarmos consciência das nossas atitudes e não iniciarmos uma mudança nos nossos hábitos em relação à Natureza.